Edifício Moema

Se cair bomba é só correr para o Edifício Moema!!!

Foi por medo de avião que, na época da guerra, prédio niteroiense ganhou abrigo antiaéreo.

A história já foi contada como lenda urbana da cidade, mas a existência de um abrigo antiaéreo no subsolo do bloco A, do Edifício Moema, em Icaraí, tem testemunha da sua construção. “Foi na época da Guerra”, atesta o aposentado Aurelino Fernandes Machado, de 87 anos, que viu o prédio de 11 andares e 66 apartamentos ser erguido na Rua Coronel Moreira Cesar, n° 469. Na época, ele morava próximo, na Rua Joaquim Távora, mas acabou se mudando para o Moema de onde é um dos moradores mais antigos.

O condomínio possui ainda os blocos B e C. Todos são independentes, com 44 apartamentos cada. Foram construídos a partir de 1946. Para Aurelino, o afundamento de navios brasileiros, que levou o país à Segunda Guerra Mundial, pode ser o motivo de se buscar a proteção antiaérea, que nunca foi necessária. Bem humorado, ele só não sabe explicar como as pessoas sairiam do bunker depois de um hipotético bombardeio, uma vez que os escombros fechariam os acessos.

A obra do Moema foi iniciada em 1939 pela Caixa Previdenciária dos Funcionários do Banco do Brasil. Os empregados do banco foram os primeiros compradores dos amplos e bem construídos apartamentos.
A construção atravessou todo o período da guerra, que durou de 1939 a 1945. Em 1942, o Decreto 4.098 estabelecia medidas de defesa passiva antiaérea, e entre elas estava a exigência de abrigos para os prédios que tivessem mais de cinco pavimentos ou área coberta superior a 1.200 metros quadrados.

Embora a obra do Moema já estivesse em execução e isenta da obrigação, o abrigo foi feito.

A área do abrigo hoje tem cozinha e banheiro para os empregados, a casa de força do prédio e um bicicletário. O pé direito é baixo e o espaço possui muitas colunas de sustentação. Nos classificados dos jornais do Rio nesse período, eram comuns anúncios de venda e aluguel de apartamentos que descreviam a quantidade de quartos, a existência de dependência de empregada, elevador, e também de abrigo antiaéreo nos edifícios, como se fora uma comodidade a mais. Endereço conhecido da cidade, o Moema abrigou famílias grandes.

Os moradores chegaram a manter um clube, em uma casa da Rua Joaquim Távora, onde eram realizadas festas e havia até sessões de cinema.

Em 1994 os moradores do bloco A passaram por um susto que virou notícia, quando uma das pilastras exteriores do prédio sofreu um abalo. “Nada que comprometesse o prédio, elas são acabamentos e não tem a ver com a estrutura do edifício”.

(Fonte: Nikity das Antigas, facebook, 26/9/2015, Francisco de Assis Kelly. Acessado em: 18/6/2016)

(Texto apresentado na reunião semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí de    /   /2016)

*Foto de capa: um dos blocos do Edifício Moema. Foto: Brigitta Grundig, 2016.)

 

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(Clique sobre as fotos para ampliar. Fotos: Brigitta Grundig, 2016)

 

 

 

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Edifício Oswaldo Cruz

Construído nos anos 1946/1950, o edifício ergue-se no alinhamento frontal e possui afastamentos laterais. Situado a poucos metros da Praia de Icaraí, é um dos mais antigos arranha-céus de Niterói em estrutura de concreto armado. Incorporou importantes inovações tecnológicas e mecanismo de conforto ambiental.

Sua arquitetura, em linguagem protomoderna (Arquitetura protomoderna é como se costuma chamar a produção arquitetônica do fim do século XIX e início do século XX que prenuncia, seja pelo ideário ou pelo resultado formal, arquitetura moderna.) com elementos de art déco – estilo caracterizado pelo uso de formas e decorativismos geométricos, compõe-se de embasamento (pavimento térreo e primeiro pavimento-tipo) e corpo (demais pavimentos-tipo). De composição simétrica, a edificação apresenta varandas que fazem um interessante jogo de abertos e fechados.

Na entrada principal, grandes portas em ferro trabalhado dão acesso ao saguão central em mármore, ladeado à direita e à esquerda por salas de estar. Nesses ambientes, o decorativismo interno é simples e elegante. Em sua parte externa, em ambas as laterais, passagens do tipo porte-cochère permitem o embarque e desembarque protegido de passageiros e levam ao estacionamento nos fundos.

(Tombamento municipal em 04/04/2002
Processo 110/062/1999 – Lei 1.970)

O tombamento é o ato de reconhecimento do valor histórico de um bem – material ou imaterial, que o transforma em patrimônio oficial e institui regime jurídico especial de propriedade, levando em conta sua função social. O nome tombamento advém da Torre do Tombo, arquivo público português onde são guardados e conservados documentos importantes.

(Fonte: Prefeitura Municipal de Niterói, com inserções da Wikipedia)

 

LEI Nº 1970, DE 04/04/2002 – PUB. DIÁRIO OFICIAL, DE 05/04/2002
FICAM TOMBADOS DEFINITIVAMENTE AS FACHADAS, O PAVIMENTO TÉRREO E AS CIRCULAÇÕES COMUNS DE TODOS OS DEMAIS PAVIMENTOS DO IMÓVEL SITUADO NA RUA OSWALDO CRUZ Nº 18, EM ICARAÍ, NESTA CIDADE.
A CÂMARA MUNICIPAL DE NITERÓI DECRETA E EU SANCIONO E PROMULGO A SEGUINTE LEI:

Art. 1º Ficam tombados definitivamente as fachadas, o pavimento térreo e as circulações comuns de todos os demais pavimentos do imóvel situado na Rua Oswaldo Cruz, nº 18, em Icaraí, nesta Cidade.

Art. 2º Fica definida, como área de entorno para proteção do bem tombado, todo o terreno no qual se encontra implantado.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor, na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

PREFEITURA MUNICIPAL DE NITERÓI, em 04 de abril de 2002.

JORGE ROBERTO SILVEIRA, PREFEITO

PROJETO DE LEI Nº 011/2002
AUTOR: MENSAGEM EXECUTIVA Nº 05/2002
PROCESSO Nº 10/0321/2002

(Fonte: Prefeitura Municipal de Niterói)

(Apresentado na reunião semanal do Rotary Niterói Icaraí, em   /  /2016)

*Foto de capa: pavimento térreo e entrada do edifício. Foto: Brigitta Grundig, 2016.

 

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(Clique sobre as fotos para ampliar. Fotos: Brigitta Grundig, 2016)

 

 

Pedra da Itapuca

Inserida no bairro de Icaraí e símbolo de Niterói, a Pedra ou Arco de Itapuca é hoje apenas uma lembrança do que foi em épocas passadas. Ita-puca quer dizer pedra furada ou, em outra linguagem, arco de pedra. De fato, havia um arco que se apoiava, de um lado no morro próximo, de outro junto ao mar, e que só podia ser atravessado a “pé enxuto” com maré baixa.

Aos poucos a parte suspensa do arco ruiu, sobrando apenas as pontas dos dois lados. Com o passar do tempo a parte junto ao mar ficou reduzida a um pequeno amontoado rochoso que foi demolido durante a gestão do Prefeito Otávio Carneiro, com o objetivo de alargar o caminho para Icaraí e continuar a amurada do cais.

Do lado do morro, após o desmoronamento, permaneceu um longo nariz de terra, cuja queda amedrontava a quem passasse por ali.

Finalmente, depois de um prolongado período de chuvas, o nariz caiu, felizmente sem causar acidentes pessoais.

Ante o desaparecimento da verdadeira Pedra da Itapuca, seu nome foi transferido para uma pedra próxima, o que não invalida, em absoluto, a lenda que é contada há gerações.

(Fonte: “Minha Terra e minha Vida”, de Everardo A. Backheuser, 2ª ed. 1994)

 

A lenda

Atribui-se ao cronista Álvaro de Oliveira a lenda sobre a Pedra da Itapuca, símbolo de Niterói.

Conta a referida lenda que “a bela índia Jurema, de olhos grandes e pele tostada pelo sol, prometida ao mais forte e bravo de sua tribo, estava na praia, quando se deparou com Cauby, de nação estranha.
Desde então, os dois passaram a ali se encontrar, Jurema cantando e Cauby ouvindo, enlevado, até que foram descobertos.
Atacados os dois amantes, Cauby foi obrigado a fugir e Jurema, ferida, nunca mais cantou.

Passou-se o tempo e Jurema, na véspera de seu casamento, mais uma vez dirigiu-se à praia. Deu-se então o inesperado: Cauby, emergindo das águas, veio ao seu encontro. Os dois, abraçados, deixaram-se ficar na areia, protegidos pela Lua, até que os guerreiros da tribo novamente os cercaram enfurecidos. A luta seria desigual e os amantes pagaram inevitavelmente com a vida. Foi quando Tupã, a pedido de Jacy, a Lua, abençoando o amor de Cauby e Jurema, transporta-os no milagre ao interior da pedra onde eternamente se uniram.”

(Fonte: “Mater Dei Express”, Ano 1, nº 3, outubro 1995)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 29/11/1995)

*Foto de capa: a Pedra da Itapuca, em primeiro plano, vendo-ao fundo a Ilha da Boa Viagem, década 1920, autor desconhecido.

 

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Topografia

Já dissemos aqui que Icaraí, em tempos idos, era uma imensa planície arenosa, em parte alagadiça, rodeada por morros, e que se estendia da praia até a atual rua de Santa Rosa, da aba do Morro do Calimbá (proximidades da Rua Dr. Paulo César) até o Morro do Cavalão. A área era cortada pelo Rio Icaraí.

Vindo da Fazenda da Boa Vista com o nome de Calimbá, o rio descia ao longo da rua do Cubango (atual rua Noronha Torrezão) até cruzar o caminho do Calimbá ou Carymbá (rua Dr. Paulo César), nas proximidades do atual largo do Marrão, seguindo a partir daí com o nome de Icaraí (ou Caraí). Atravessava um grande lodaçal – o Campo de São Bento – onde a ele se juntava um pequeno curso d’água, originário de Santa Rosa, e desaguava na foz da Ponta do Cavalão junto ao morro. Daí a conhecida designação de Canto do Rio, localizado no final da Praia de Icaraí.

Havia em Icaraí três elevações: o Morro de Santa Teresa, ainda existente, popularmente denominado Morro dos Alemães pelo grande número de alemães que ali residiam; o Morro da Pedreira ou do Cruzeiro, onde se situava a capela de São João Batista de Icaraí e que foi derrubada para dar lugar a um novo e imponente templo; e, por último, uma pequena colina, próxima ao Morro da Pedreira, demolida antes mesmo da capela de São João Batista de Icaraí, onde existiu a ermida de Nossa Senhora das Necessidades, provavelmente o local da atual igreja de Porciúncula de Santana.

Hoje o Rio Icaraí se encontra canalizado em toda a sua extensão. Podemos vislumbrá-lo aqui e ali, entre os edifícios e as novas construções do bairro, e ao longo da Avenida Ary Parreiras até a praia, onde foi coberto por uma laje de concreto para a construção da Igreja de São Judas Tadeu.

A área do Campo de São Bento foi aterrada e urbanizada no início do século XX, durante a gestão do Prefeito Pereira Ferraz, segundo projeto do engenheiro paisagista belga Arsène Puttemans, que apresentou uma maquete – muito apreciada, por sinal – na Exposição Nacional de 1908.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 8/11/1995)

*Foto do cabeçalho: vista aérea sobre Icaraí em direção ao Rio, data e autor desconhecidos.

 

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Residências e comércio

A finalização das obras em Icaraí do Plano de Arruamento de 1840-41, a implantação dos bondes e da iluminação pública à base de energia elétrica, entre outros melhoramentos introduzidos, foram trazendo pouco a pouco no início do século passado, famílias de nível econômico mais elevado para fixar residência no bairro. Já naquela época a Praia de Icaraí atraía grande contingente da população de Niterói para o banho de mar terapêutico.

Surgiam residências “elegantes e esmeradas, de vários estilos, com jardins bem cuidados e de bom gosto, embora algumas um pouco extravagantes.” As construções se localizavam principalmente à beira da praia. Porém havia muitos casarões pelo interior do bairro que pertenciam a capitalistas, grandes comerciantes, profissionais liberais, diretores de empresas nacionais e estrangeiras, políticos e industriais do Rio e de Niterói.

Eram conhecidas as residências da família Miguelote Viana (Rua Gavião Peixoto 250), de Armindo de Morais (Rua da Regeneração 116, atual Otávio Carneiro), de Henrique Mutzenbecher, Hermann Bekenn, Antônio Monteiro de Queiroz, Dr. Afonso Abreu Lima, Dr. Antônio Pedro Pimentel (este último, fundador da Faculdade Fluminense de Medicina), todas situadas na Praia de Icaraí.

Havia, também, um pequeno comércio – emergente ainda – no interior do bairro, principalmente ao longo da Rua Gavião Peixoto, onde hoje se encontra a maior concentração comercial de Icaraí.

Como se vê, muitas das tradições e características do bairro, que atualmente norteiam o comportamento dos moradores de Icaraí – área considerada nobre, o privilégio de morar à beira da Praia e a localização do comércio nas ruas internas – surgiram naquela época e foram consolidadas ao longo dos anos.

(Fonte: “Niterói, Cidade Sorriso”, de Carlos Wehrs, 1984)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 1/11/1995)

*Foto do cabeçalho: o antigo Palacete Hermann Bekenn já como Pensão Roma, década de 1980, autor desconhecido.

 

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