O Asilo de Santa Leopoldina II

O imponente prédio situado à rua Miguel de Frias, antiga rua da Constituição, é a sede do Asilo de Santa Leopoldina, criado nos meados do século 19. Foi ele fundado no dia 24 de junho de 1854. Sua fundação está ligada a alguns nomes de projeção na sociedade fluminense do tempo do Império. A ideia de se criar, em Niterói, um estabelecimento que abrigasse crianças órfãs foi do Presidente da Província, Luís Antônio Barbosa, e a execução do projeto coube ao Barão do Rio Bonito, João Pereira Darrigue Faro, quando na Presidência da Província.

A lei provincial nº 537, de 19 de junho de 1850, estabeleceu as normas para a criação do Asilo: “Fica criado, na cidade de Niterói, um Asilo para a infância desvalida e autorizado pelo Presidente da Província para dar-lhe os regulamentos necessários, podendo desde já despender a quantia de 4:000$000 anuais com o custeio de semelhante estabelecimento a alugar um edifício para sua fundação. Este estabelecimento gozará, além disto, dos mesmos favores que gozam as casas de Caridade da Província.”

Sua primeira sede foi uma casa situada no Largo da Memória, hoje Praça Gen. Gomes Carneiro (Rink), e, para sua instalação, D. Pedro II concorreu com a quantia de 3:000$000 e a Imperatriz com 2:000$000 de esmola. Para o Asilo também concorreram esmolas de cidadãos de vários municípios e Câmaras Municipais.

O estabelecimento foi colocado sob a proteção dos Imperadores, que sempre o prestigiaram, comparecendo às suas festas e percorrendo suas instalações, todas as vezes que vinham a Niterói.

À Irmandade de São Vicente de Paulo coube a orientação das crianças admitidas no Asilo. Estas aí completavam seu curso de letras e prendas domésticas, e, ao atingir 21 anos, saíam para contrair matrimônio ou para se colocar em casa de famílias conceituadas.

Dentre seus operosos Provedores, destacou-se, no Império, o Barão de São Gonçalo, Belarmino Ricardo de Siqueira. Era ele Comandante Superior da Guarda Nacional e amigo pessoal do Imperador. Exerceu, por muitos anos, o cargo para o qual fora indicado pelo Soberano.

(Fonte: “Páginas de História Fluminense”, de Thalita de Oliveira Casadei, ed. 1971)

 

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Asilo Santa Leopoldina

Dentre as instituições filantrópicas tradicionais de Icaraí existentes até hoje, está o Asilo Santa Leopoldina.

Criado no século XIX pelo Vice-Presidente da Província, João Pereira Darrigue de Faro, em substituição ao Presidente Luiz Antônio Barbosa, o Asilo inicialmente ocupou um prédio junto ao Largo da Memória (atual Praça Gen. Gomes Carneiro, conhecida por nós como Rink), com a finalidade de “abrigar, educar e instruir meninas órfãs”. Estiveram presentes à solenidade D. Pedro II e D. Teresa Cristina, seus protetores.

Em 1856 foi levado o Santíssimo Sacramento, em procissão, à nova sede, também provisória, na Rua da Praia (aual Visconde do Rio Branco). Nessa ocasião, houve exposição de trabalhos manuais das internas.

Pouco antes, em 9 de agosto de 1855, foi lançada a pedra fundamental da sede definitiva, na Rua da Constituição (atual Miguel de Frias). Após longo período de obras, o prédio novo foi, finalmente, inaugurado em 15 de janeiro de 1864, onde permanece até hoje.

Entre seus provedores destacou-se José Júlio Pereira de Morais, o Visconde de Morais.

O Asilo também foi visitado por personalidades ilustres, como o Frei Francisco do Mont’Alverne, “honrado por um rei e dois imperadores e acatado pela autoridade eclesiástica como oráculo da ciência.” Já no início deste século, no dia 31 de outubro de 1906, as internas deram vivas ao Presidente da República, Rodrigues Alves, quando da inauguração dos bondes elétricos em Niterói.

Junto ao Asilo, administrado por religiosas da Ordem de São Vicente de Paulo, funcionam, atualmente, o Colégio São Vicente de Paulo e a Capela de Santa Leopoldina.

(Fonte: “Niterói, Cidade Sorriso”, de Carlos Wehrs, 1984)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 25/10/1995)

* Foto do cabeçalho: o Asilo Santa Leopoldina, sem data, autor desconhecido.

 

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Bondes

Niterói conheceu o bonde ainda de tração animal em 1871, estando entre as sete primeiras cidades do país que contavam com tal melhoria.

A primeira concessão foi dada ao Ten. Cel. João Frederico Russel, nome bastante conhecido no Rio de Janeiro no setor de esgotos sanitários, e ao engenheiro Américo Tomás de Castro. Em outubro do mesmo ano a Companhia Ferro Carril Nictherohyense inaugurou a primeira linha que saía da estação das barcas de São Domingos (localizava-se próximo à Officina Rodrigues Alves, prédio ocupado atualmente pelo Mercado Cantareira), passava pelos bairros do Ingá e Icaraí, terminando junto ao Morro do Cavalão.

A Ferro Carril expandiu-se muito, tornando-se em 1877 a empresa Trilhos Urbanos de Nictheroy, do Comendador Domingos Moitinho.

Em 1905, Dr. Nilo Peçanha, presidente do Estado do Rio, então em seu primeiro governo, pressionou a Companhia Cantareira para que transformasse o sistema animal em elétrico.

As obras de melhoria criaram grande expectativa na população, fazendo com que o povo comparecesse em massa à cerimônia de inauguração, realizada no último dia de mandato do Dr. Nilo Peçanha, em 31 de outubro de 1906.

Saindo da Praça de São Domingos (atual Leoni Ramos), o bonde presidencial percorreu o Ingá, contornou o litoral até Icaraí até o final da Praia de Icaraí, retornando pelo mesmo caminho, subindo, depois, a Rua da Constituição (atual Miguel de Frias).

Os bondes funcionavam regularmente até bem pouco tempo, quando foram retirados definitivamente de circulação.

(Fonte: “Capítulos da Memória Niteroiense, de Carlos Wehrs, 1989)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 18/10/1995)

* Foto do cabeçalho: bonde vindo de Icaraí, 1906, autor desconhecido.

 

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Cinemas antigos

Bem no final do século XIX, exatamente no ano de 1897, estreou o cinema em Niterói. Icaraí não ficou atrás. Mesmo sendo naquela época um bairro quase desabitado, surgia, alguns anos mais tarde, em 1907, o Cinematógrafo Icarahy ao ar livre, em pleno Jardim de Icaraí (hoje Praça Getúlio Vargas).

De propriedade de Humberto de Lima, o Icarahy usava energia elétrica cedida pela Companhia Cantareira e Viação Fluminense, que procurava, assim, aumentar o número de passageiros nos bondes.

Os programas dos espetáculos eram distribuídos nos cinemas em locais de grande movimento e por vezes encartados em jornais niteroienses. Eram exibidos, nada mais, nada menos que cinco filmes por dia – às vezes até doze (!) – de curta metragem. Constava, também, do programa, quando a fita era “falante” e, no rodapé, vinha o nome da orquestra. Muitos músicos, que mais tarde se tornaram famosos, iniciaram sua carreira ali.

Mas, apesar do grande entusiasmo em relação à nova diversão, havia algumas pessoas que não deixavam escapar certos detalhes. Saiu publicado no semanário Niterói, de 17/7/1910, o seguinte artigo: “O cinematógrafo tem, naturalmente, defeitos. Apresenta-nos fitas cômicas, sem graça nenhuma, dramáticas estúpidas, históricas que são verdadeiras ‘histórias’, mas tem em compensação grandes méritos. É barato. É cômodo. É democrata como o bonde. Quando a gente não ri nem chora durante a sessão, traz pulgas para casa com que rir ou chorar…”

No final de 1916, início de 1917 funcionou em Icaraí o Cinema Icarahy, junto ao Jardim em bem montada casa. No entanto, o atual Cinema Icaraí nada tem a ver com o de 1916. Este último foi inaugurado na década de quarenta em prédio novo, com as características arquitetônicas e decorativas daquela época.

(Fonte: “Capítulos da Memória Niteroiense”, de Carlos Wehrs, 1989)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 11 de outubro de 1995)

Foto do cabeçalho: 1978, autor desconhecido.

 

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Praça Getúlio Vargas

Localizada em frente ao antigo Cinema Icaraí e ao prédio da Reitoria da Universidade Federal Fluminense, a Praça Getúlio Vargas já teve outras denominações. O Jardim de Icaraí – primeiro nome dado à praça – surgiu nos idos de 1877, construído junto à praia, entre as ruas Miguel de Frias e Álvares de Azevedo. A obra foi custeada por subscrição entre os moradores, e ao governo provincial coube a construção da muralha do cais e o assentamento do gradil em torno da praça.

Em 1909, o Jardim sofreu as primeiras modificações, sendo inaugurado um monumento – uma galera de bronze sobre um bloco de granito – onde se lê: “Prefeitura de Niterói. Cais e Avenida Icaraí mandados executar pela Prefeitura no ano de 1909, sendo Presidente do Estado o Exmo. Sr. Dr. A.A.G. Backer e Prefeito o Engenheiro Civil João Pereira Ferraz.

Já em janeiro de 1927, foi instalado um busto de Antônio Parreiras, executado por um escultor francês de Paris (na foto, vemos o momento em que o busto foi inaugurado.) e, em julho do mesmo ano, a partir de um monumento em homenagem aos primeiros aviadores que atravessaram o Atlântico Sul, o jardim passou a se chamar Praça Jahu. Finalmente em 1940, após demorada remodelação, a praça recebeu o seu atual nome, quando foi inaugurada uma herma ao Getúlio Vargas, com a inscrição: “Niterói ao Presidente Vargas.”

(Fonte: “Niterói, Cidade Sorriso”, de Carlos Wehrs, 1984)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 27/9/1995)

Foto do cabeçalho: Praça Getúlio Vargas, sem data, autor desconhecido.

 

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