“As sedes do Clube Central”

“Neste casarão (foto abaixo) da Rua Presidente Pedreira 65, então pertencente à família Armando Lassance, instalou-se a sede do Clube Central, fundado em 18 de julho de 1920. O imóvel serviu temporariamente como Palácio do Governo, e o clube transferiu sua sede para a Rua Presidente Pedreira 138 e, em 1932, para o casarão onde funcionou o Colégio Guanabara, na Praia de Icaraí 335, e que foi abaixo, em 1976, para surgir o “Palácio de Mármore”, de quatro pavimentos.

Nas gestões do Almirante Gustavo Gurgulino e do engenheiro Rubem Maragno, o casarão da foto antiga, com um anexo moderno, a Escola Estadual Aurelino Leal, que funcionou em vários endereços.

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Neste prédio (foto abaixo) na Rua Presidente Pedreira 138, o Clube Central instalou a sua segunda sede, desta vez em imóvel próprio; logo após a sede antiga, alugada, passou a funcionar como Colégio Estadual, possivelmente em 1923, defronte ao Palácio do Governo Estadual (atual Museu do Ingá).

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Em 1932 o clube se transferiu para uma mansão na Praia de Icaraí, demolida para dar lugar à sede atual. O imóvel da Rua Presidente Pedreira 138, dividido em duas unidades, foi residência do deputado estadual Jayme Bittencourt, na passagem da década de 40 e 50 e é a residência de uma das suas filhas.”

(Fonte: “Memória de Niterói (XLIII)”, Jornal de Icaraí, 20 a 26 de agosto de 2016, Cidade, p.9)

 

Observações minhas: A matéria acima foi publicada no jornal A Tribuna, em anos passados, e agora saiu no jornal de Icaraí. Pretendo aprofundar a pesquisa iconográfica, para conferir se essas fotos são realmente das antigas sedes do Clube. A primeira não me parece ser do atual Colégio Aurelino Leal, as janelas inferiores têm outro formato, a platibanda é diferente (ou foi totalmente descaracterizada?), bem como as proporções da altura da platibanda e de outros elementos da fachada. A casa da segunda foto, onde se lê que é a “residência de uma das suas filhas”, se ela ainda existe, não a encontrei, muito menos o número 138. Veja as fotos atuais, respectivamente, do colégio e do suposto número 138:

O Colégio Aurelino Leal, em seu estado atual, à esquerda, e em foto de 1922, à direita:

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E agora o suposto número 138 da mesma rua:

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Encontra-se bem na esquina da rua Nilo Peçanha. Comparando com a foto do artigo, não parece tratar-se da mesma casa. Pode até ser que a numeração da rua tenha sido modificada…

 

 

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Dados estatísticos

O estudo “Niterói: bairros“, levantamento de dados realizado pela Consultoria Especial de Ciência e Tecnologia, órgão da Prefeitura Municipal de Niterói, e publicado em março de 1996, revela dados surpreendentes sobre os 48(*) bairros que compõem o município de Niterói.

Falando especificamente de Icaraí, o bairro apresentou nas décadas de 1940 e 50 um acelerado processo de adensamento demográfico facilitado pelo predomínio de construções verticais. No entanto, é bem servido de infra-estrutura básica.

É o segundo núcleo mais populoso do município (39.940 habitantes) e possui o número mais elevado de domicílios (20.229). Sua taxa média de crescimento é de 1,10% ao ano.

A taxa de alfabetização da população acima de 5 anos é bastante elevada (97,66%), ocupando a segunda posição do município. A primeira fica com o bairro da Boa Viagem.

Icaraí tem 67,50% de homens como chefes de família e 32,50% de mulheres. O rendimento médio mensal dos chefes de domicílio que recebem até 5 salários mínimos é de 23,48%; de 5 a 15 salários, 43,65% dos chefes e acima de 15 salários 30,66%.

Um outro dado relevante é que 70,11% dos imóveis são próprios e 23, 14% alugados.

A distribuição por faixa etária mostra um quadro peculiar. É relativamente menor a população infantil de 0 a 9 anos (10,92%) do que a idosa, de 65 anos ou mais (12,06%). A faixa etária que apresenta maior concentração é a adulta entre 20 e 44 anos (38,37%).

Quanto à distribuição por sexo, 43,72% dos moradores são homens e 56,28% mulheres.

(Fontes: Niterói Informações Básicas 1994. CECITEC/PMN; Jornal O Fluminense, 24 e 25 de março/96; Jornal Setedias, 16 a 22 de março/96)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 27/3/1996)

(*) Atualmente, o município é composto de 52 bairros.

 

 

Clube Central

A sede do Clube Central se localiza em posição privilegiada, bem ao centro de toda a extensão da Praia de Icaraí.

Agremiação social tradicional em Niterói, o Central nasceu no Ingá. Foi fundado em 18 de julho de 1920, por personalidades proeminentes da sociedade de então, iniciando suas atividades num casarão que pertencia à família de Armando Carreira Lassance, localizada na Rua Presidente Pedreira 65. Mudou de sede várias vezes: ocupou por algum tempo o prédio onde hoje funciona a Escola Estadual Aurelino leal, em frente ao Palácio do Ingá, e, em abril de 1921, a sede foi transferida para o nº 138 da mesma rua, sua primeira sede própria.

Finalmente em fevereiro de 1932, o clube mudou-se para a mansão onde funcionou o Colégio Guanabara, situado na Praia de Icaraí 335, local em que se situa até hoje.

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O Clube em 1960. Foto: Carlos Ruas.

Naquela época o clube foi palco de reuniões dos políticos do Estado do Rio, em que foram tomadas importantes decisões.

Pela presidência do Clube Central já passaram 25 presidentes, sendo o primeiro Armando Carreira Lassance, que permaneceu no cargo até 1932.

Em 1973, durante a gestão de Gustavo Gurgulino de Souza, começou-se a estudar a viabilidade de construção de uma sede que atendesse melhor às crescentes atividades do clube.

A obra da nova sede, projeto do arquiteto Manoel Machado, foi executada durante a gestão do presidente Rubens Maragno e inaugurada no dia 18 de julho de 1976, ano do 56º aniversário do clube.

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Conhecido como “Palácio de Mármore”, o prédio compõe-se de quatro andares, que abrigam um imponente hall de entrada, salão nobre, uisqueria, auditório, salas da diretoria, espaço jovem e um grande terraço, de onde se descortina bela vista da Baía de Guanabara e da cidade do Rio de Janeiro, além do parque aquático e das saunas, muito frequentadas pelos sócios, principalmente nos meses de verão.

Em 1981, ainda na gestão de Rubens Maragno, foi inaugurado o Ginásio de Esportes, na Rua Moreira César 251, com as modalidades de quadra, ginástica, musculação, judô, jiu-jitsu, ginástica rítmica, etc. A quadra de basquete, recentemente reformada, encontra-se entre as melhores do Grande Rio.

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(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 20/3/1996, atualizado em 12/11/2016)

*Foto de capa: sede antiga da praia de Icaraí antes da demolição, 1969, autor desconhecido.

 

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Igreja de São Judas Tadeu

Quem seguir pela orla de Icaraí vai alcançar, no final da praia, na esquina com a Avenida Almirante Ary Parreiras e a Rua Joaquim Távora, um templo católico, que logo chama a atenção por suas características diferentes das de todos os outros na cidade de Niterói. Foi o primeiro em linhas modernas.

É dedicado a São Judas Tadeu e leva o privilégio de se localizar “num dos recantos mais belos do mundo”, na expressão do padre Abílio Real Martins, seu primeiro vigário.

A história de construção da Igreja de São Judas Tadeu teve início na década de 1950, quando se verificava um crescimento vertiginoso da população de Icaraí.

Em 1959, D. Carlos Gouvêa Coelho, bispo de Niterói, incumbiu o seu principal auxiliar, padre Abílio, da tarefa de criar uma paróquia para atender esses moradores.

O padre repetia aos fiéis e devotos, com frequência e muita clareza, seus propósitos: “a igreja não seria luxuosa, queria-a, sim, funcional, de material durável, simples e, se possível, bela. Belo não quer dizer rico e caro”, dizia. Seu sonho: “dar um marco arquitetônico ao local nobre de Icaraí”. Deveria, ainda, no seu conjunto, fazer sobressair um marcante e proposital contraste – o despojamento do seu interior. Era o que convinha à época e ao ambiente, destinado ao recolhimento e à prece.
Estas ideias vinham delineadas na competência artística de seu amigo e arquiteto Manuel da Silva Machado, rotariano recentemente falecido.

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Lançamento da pedra fundamental, outubro 1962.

O terreno destinado à construção do templo pertencia à Caixa de Mobilização Bancária e se localizava na orla da praia de Icaraí, no Canto do Rio. Com o dinheiro arrecadado nas missas, construiu-se, inicialmente, uma pequena capela, sede provisória da Paróquia de São Judas Tadeu.

A hora decisiva de começar a obra chegou em 1969.

Os recursos técnicos superaram os tropeços políticos, e o arquiteto determinou como preservar o canal de Icaraí, para atender à legislação vigente que exigia que a área do canal fosse preservada, não podendo ser obstruída. Escolheu três pontos fora dele para suportar o peso da cúpula, e disso resultou a igreja de forma triangular.

Assim, o arquiteto Manoel Machado conseguiu traduzir os preceitos básicos do Cristianismo. “Pela pureza geométrica, sua forma triangular inculca ao vivo a simplicidade de Deus e das coisas do espírito. Esta forma una, simples, rígida e indeformável exprime com felicidade a Unidade e a Trindade de Deus”. E o padre acrescenta: “As projeções da cúpula desenham a estrela-de-davi que, vista de cima, forma um hexágono regular. Pode-se notar assim, sem maior esforço, uma insinuação da estreita ligação da Nova com a Antiga Aliança.”

A igreja tem capacidade para 500 pessoas sentadas e dispõe de um auditório para 200 pessoas, diversos salões, salas de aula, secretaria, entre outras dependências. Possui um painel com o itinerário seguido por São Judas Tadeu e figuras simbólicas dos Evangelistas, obras exclusivas do artista espanhol Júlio Espinosa.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 28/2/1996, e atualizado em 10/5/2016, site da Paróquia de São Judas Tadeu)

*Capa: Igreja de São Judas Tadeu à noite, 2016. Foto: Brigitta Grundig. 

 

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Icaraí por Parreiras

Antônio Diogo da Silva Parreiras – ou simplesmente Antônio Parreiras – conta entre os maiores pintores paisagistas brasileiros. Nascido em São Domingos, Niterói, em 21 de janeiro de 1860, teve um começo de carreira muito difícil, por ter perdido o pai muito cedo e não poder exercer a pintura livremente.

Somente em fins da década de 1880, após uma viagem de estudos à Itália, o seu trabalho obteve o merecido reconhecimento.

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Antônio Parreiras. Foz do Rio Icaraí, 1885.

Sucessivas exposições e numerosas encomendas comprovam o amplo sucesso finalmente obtido por Parreiras, quando foi nomeado professor da Escola Nacional de Belas Artes e fundou a Escola ao Ar Livre, instalada em Icaraí.

No decorrer de sua vida empreendeu várias viagens pelo Brasil e pela Europa, para pintar quadros que lhe eram encomendados e atualizar os seus conhecimentos sobre as mais recentes técnicas da pintura de paisagens.

Recebeu uma série de medalhas e numerosas homenagens, dentre as quais a inauguração de um busto, localizado na Praça Getúlio Vargas, em Icaraí.

Parreiras faleceu em conseqüência de uma séria intoxicação com produtos químicos utilizados nas tintas, no dia 17 de outubro de 1937, na sua residência, situada na Rua Tiradentes 47, Ingá, onde atualmente se encontra o Museu que leva o seu nome.

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Rua Presidente Backer

Parreiras retratou, como ninguém, a sua cidade natal. Retratou Icaraí (ainda um bairro emergente) em várias obras, datadas, em sua maioria, do início de sua carreira: Restinga de Icaraí, Foz do Rio Icaraí, Panorama da Praia de Icaraí, Pedra da Itapuca, Ancoradouro, Trecho da Rua da Sagração (atual Rua Presidente Backer) e Rua Presidente Backer em Icaraí.

Todas as obras citadas acima encontram-se em coleções particulares ou são apenas citadas na Bibliografia, com exceção da peça Rua Presidente Backer em Icaraí, que pode ser apreciada pelo público no Acervo Galeria de Arte, no Rio de Janeiro.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 7/2/1996)

* Capa: quadro “Pedra da Itapuca”, de 1891

 

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Álbum

O livro A Capital Fluminense (Álbum de Nictheroy) datado de 1925, de Júlio Pompeu de Castro Albuquerque, é uma importante contribuição para a história de Niterói. Rica em fotografias e dados estatísticos, a publicação traça um perfil da vida urbana naquela época.

A população de Niterói, por exemplo, em 1920, era de 86.238 habitantes, em comparação com o ano de 1900, quando a cidade contava, ainda, com 53.433 habitantes.

Entre os moradores havia muitos estrangeiros: portugueses (9.488), espanhóis (960), italianos (750), ingleses (459) e alemães (228), que ocupavam as mais variadas profissões. A presença maciça de ingleses e alemães justificou a criação, respectivamente, do Rio Cricket (Clube dos Ingleses), localizado na Rua Fagundes Varela, e a fundação da Comunidade Luterana (com cultos em alemão), situada no Morro de Santa Teresa, em Icaraí.

69-casa-de-saude-icarai-icarai-niteroi-a-dDentre as instituições de saúde, podemos destacar a Casa de Saúde Icaraí que se localizava na Praia de Icaraí 49 e era dirigida pelos clínicos Drs. Antônio Pedro Pimentel (fundador da Faculdade Fluminense de Medicina), Ernani de Faria Alves e Leonídio Ribeiro Filho. A Casa era a “única existente no Estado do Rio, installação completa, com aparelhos dos mais modernos, modelar estabelecimento; com secção de Maternidade, sob a direção do Dr. Oliveira Motta.

As agremiações também já marcaram presença, em particular, o Clube de Regatas Icaraí e o Clube Central, este ainda bastante jovem, pois tinha sido fundado uns poucos anos antes: em 1920.

O Álbum retrata em especial o bairro de Icaraí, mostrando através de fotografias o Campo de São Bento, o desfile de um bloco carnavalesco na Rua Cinco de Julho e as belas mansões e vivendas localizadas na Praia de Icaraí. Sem dúvida, o Álbum de 1925, como é conhecido, é uma obra rara e importante fonte de pesquisa não só para historiadores, como também para aqueles curiosos em conhecer um pouco mais da história da cidade. Um exemplar dessa valiosa obra encontra-se no Centro de Memória Fluminense, na Biblioteca Central do Gragoatá/UFF, e faz parte do acervo Carlos Mônaco.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 31/1/1996)

* Capa: Foto da antiga Casa de Saúde Icaraí localizada na Praia de Icaraí.