“O francês do Petit”

Por Emmanuel de Macedo Soares*

“Lá pelos idos de 1964, quando o Petit Paris era uma ilha de felicidade no meio das sombras e tristezas milicorrevolucionárias, pousou de repente nas históricas mesas da varanda um francês muito falante e meio amalucado, que logo conquistou a praça com sua paixão pela bossa nova.

Tinha um jipe, ou alguém tinha um jipe que alta madrugada fazia a linha Icaraí-Itaipu carregando 10 ou 15 passageiros não necessariamente sóbrios para assistir ao inigualável espetáculo do nascer do sol e tomar o café da manhã na colônia de pescadores.

Quando foi expulso do finésimo e decadentíssimo Hotel Cassino Icaraí, mudou-se de vez para a colônia, sem nunca deixar de assinar o ponto noturno no Petit.

De vez em quando tirava uma de amigo de Tom, Vinicius, Baden e outras vacas sagradas, mas a gente levava em conta de sua falastronice gaulesa e a conversa continuava entre dois beliscos de provolone e quatrocentos chopes.

Lá um dia o francês revelou seu segredo: estava pesquisando sobre MPB e voltaria à França para fazer um filme. Ninguém acreditou, é claro, mas apesar disso teve uma festa de despedida em alto estilo, que se estendeu dos jardins de Icaraí às areias de Itaipu, na última viagem do valente e saudoso jipinho.

Passado um tempo, amanheceu na fachada do falecido Cinema Icaraí, com aquelas gigantescas letras vermelhas, o anúncio do filme “Um Homem e uma Mulher”, nome tirado de uma canção de sua autoria, das muitas que compôs. Pierre Balouh morreu em 28 de dezembro de 2016, no sossego de seus 82 anos, numa clínica de Paris. Os obituários dirão de seus sucessos, na música e no cinema, mas para nós será sempre o francês do Petit.”

* Publicado no grupo “História de Niterói”, no Facebook, em 2 de janeiro de 2017. 

pbarouhPierre Barouh (Paris, 19 de fevereiro de 1934 – Paris, 28 de dezembro de 2016) foi um compositor e ator francês. 
[…] Barouh também dirigiu um documentário sobre os primórdios da bossa nova, “Saravah”, em 1972, além de outros três filmes. Ele trabalhou como ator em 20 filmografias, o último em 2010, “Le Marais Criminels”.

* Capa: Recorte do cartaz francês do filme “Um homem e uma mulher”

(Texto apresentado na reunião de 25/1/2017)

 

 

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Novas fronteiras e bairros vizinhos

O abairramento da cidade de Niterói é regularizado por lei aprovada em 1986. Após a implantação do Plano Diretor de 1992, houve algumas mudanças que também foram aprovadas em forma de lei em 1995, com acréscimos e alterações feitos posteriormente por meio de leis em 2001, 2004 e 2011 e complementados pela Lei Orgânica do município, datada de 2011.

O bairro de Icaraí está inserido na Região das Praias da Baía (v. mapa a seguir e Anexo V do Plano Diretor),

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e, com os bairros do Ingá, parte de Santa Rosa e Vital Brazil, compõe a Sub-Região de Icaraí (v. mapa abaixo e Seção II do mesmo Plano).

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Atualmente, Icaraí faz fronteira com oito bairros: Ingá, Morro do Estado, Centro, Fátima, Pé Pequeno, Santa Rosa, Vital Brazil e São Francisco. Sua linha divisória, tomando a ponta junto à Pedra da Itapuca como ponto inicial, percorre a linha de cumeada do Morro do Caniço até encontrar a Rua Fagundes Varela, passando pelo ponto mais alto do Morro do Arroz até a Rua Miguel de Frias com a Avenida Marquês do Paraná. Daí em linha imaginária até as proximidades da Rua Dionísio Erthal, encontrando-se com a Rua Paulo César, passando pelas Ruas Santos Dumont, Presidente Backer, João Pessoa, Lopes Trovão, Geraldo Martins, Dom Bosco até a Rua Miguelote Viana, já próximo do bairro Vital Brazil. Segue pela linha de cumeada do Morro do Cavalão até a orla marítima do Canto do Rio (prolongamento da Rua Joaquim Távora). Acompanha a orla marítima até o ponto inicial, a Pedra da Itapuca.

Vale, também, conferir o “Diagnóstico Sócio-Econômico de Niterói”, de outubro de 2013 neste link.

 

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 3/4/1996, atualizado em 15/1/2017)