As ruas Octávio Kelly, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela e Belisário Augusto

A Rua Octávio Kelly originalmente se chamava Rua Barros. Recebeu seu primeiro nome de acordo com edital da Câmara Municipal publicado em 17 de julho de 1841, por ocasião da implantação do Plano de Arruamento. Posteriormente, foi rebatizada como Rua Prefeito Ferraz e, mais recentemente, recebeu a denominação atual.

A Rua Álvares de Azevedo (antiga Rua da Independência) conta, hoje, entre as mais importantes vias de passagem de Icaraí para outros bairros. No entanto, obteve a atual configuração ao ser demolido um outeiro, onde se localizava a Igreja N.S. das necessidades. Havia ali, até pouco tempo, fazendo esquina com a Praia de Icaraí, a Pensão Aimoré, no local do atual Cinema Icaraí. no lado oposto encontrava-se uma quadra de tênis com pequena manufatura de raquetes. Hoje situa-se ali um dos primeiros edifícios do bairro.

A Rua Fagundes Varela surgiu a partir do prolongamento da Rua Tiradentes realizado pelo Prefeito Pereira Ferraz. O material retirado do corte foi utilizado no aterro do mangue de São Lourenço.

Já a Rua Belisário Augusto, transversal à Praia de Icaraí, representa um trecho da antiga Rua dos Legisladores, que também incluía a atual Rua Domingues de Sá.

Analisando-se o traçado do bairro no mapa da cidade, verificamos que essas duas ruas constituem uma reta, apenas interrompida pelo Morro da Pedreira (ou Morro do Cruzeiro). A intenção, na época da implantação do Projeto de Arruamento certamente foi a de demolir o obstáculo, o que acabou não acontecendo.

 

 

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De jornalistas e poetas

Octávio Kelly, jurista e jornalista, nasceu em Niterói, no ano de 1878. Estudou no Liceu de Instrução Popular de Niterói, fundado pouco antes de 1880, onde foram os seus contemporâneos o Alte. Sousa e Silva e Afonso Henriques de Lima Barreto (Policarpo Quaresma). Sua vida profissional foi bastante profícua. Residiu numa bela vivenda situada na Rua Visconde de Itaboraí 249. Fundou no final do século XIX o jornal O Diárioe participou do semanário A Capital, fundado em 1899, que, no entanto, teve vida breve.

Manuel Antônio Álvares de Azevedo era sobrinho do famoso poeta Álvares de Azevedo. Foi, como o tio, poeta, além de jornalista e teatrólogo. Sua atuação no meio jornalístico foi bastante expressiva. Em 1902 foi fundado outro jornal com o mesmo nome A Capital e que foi dirigido por ele. Colaboravam nesse jornal, entre muitos outros, Tavares de Macedo e Mário Vianna. Álvares de Azevedo morreu em 1905, vítima da tuberculose.

Quanto aos poetas, Luís Nicolau Fagundes Varela foi uma das maiores expressões da poesia do período romântico brasileiro. Nascido em Rio Claro, RJ, em 1841, iniciou mas não concluiu os estudos de Direito. Trabalhou em jornalismo como meio de sobrevivência, mas entregou-se muito cedo à bebida e à vida boêmia. Faleceu em Niterói em 1875, onde foi enterrado. Fagundes Varela é um dos patronos da Academia Fluminense de Letras, assim como Belisário Augusto.

Belisário Augusto Soares de Sousa, também grande poeta, lecionava filosofia no Colégio Felisberto de Carvalho, um dos mais renomados da época. Era amigo e colega do Dr. Paulo César de Andrade e, por ocasião da morte deste, pronunciou comovente oração fúnebre.

 

 

Água e esgoto

O sistema de água e esgoto sempre foi um problema em Niterói. No final do século passado, a população ainda se abastecia nos chafarizes da cidade. A primeira tentativa de se implementar um grande projeto de abastecimento ocorreu em 1831, com a canalização da água oriunda do Morro de São Lourenço. o projeto previa um açude, cuja construção se estendeu por décadas. Enquanto isso, os chafarizes existentes foram sendo consertados aguardando a conclusão das obras.

Outros locais de captação de água foram cogitados, sendo o manancial mais rico o do Rio da Vicência, que hoje corre canalizado ao longo da Alameda São Boaventura.

Finalmente, em princípios de 1892, depois da instalação de tubulações e de reservatórios, a cidade recebeu água de Nova Friburgo e, entre 1927 e 29, a capacidade foi aumentada com a água oriunda de Magé (Serra dos Órgãos).

Com o crescimento dos municípios de Niterói e São Gonçalo, o sistema ficou obsoleto, chegando ao colapso. Criou-se, então, a Companhia de Água e Esgoto de Niterói, seguida depois pela CEDAE do Estado do Rio e agora a Concessionária Águas de Niterói.

Atualmente, os bairros mais populosos são abastecidos pelo sistema Laranjal-Imunana, localizado em São Gonçalo.

A precariedade do sistema de esgoto era ainda maior. Em 1880-81 a população se servia de fossas ou dos serviços da Empreza de Remoção de Matérias Fecais, que coletava os dejetos e os despejava nas águas da Baía de Guanabara. Francisco Portela, primeiro governador do Estado, médico por profissão, procurou sanar o problema com um projeto de rede de canalização para esgotos com todo o processo de desinfecção por meios químicos, a ser implantado nos bairros do Centro, São Domingos, Icaraí, Santa Rosa etc. A execução do projeto, ampliado e modernizado, só foi concluída em 1920, durante a gestão do Prefeito Otávio Carneiro.

Em 1940 foi construída a estação de tratamento de Icaraí, entrando em operação somente em 1976. A estação de tratamento permitiu a redução considerável do lançamento de dejetos in natura nas águas da baía.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 29/5/1996)

 

 

Dr. Paulo César

Paulo César de Andrade, filho do Major Paulo César de Andrade e D. Rita Cândida da Mota César de Andrade, nasceu em Itaboraí, Província do Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 1848. Recebeu carta de bacharel em Letras pelo Imperial Colégio D. Pedro II e se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1872, distinguindo-se nas duas pela inteligência e pelo estudo.

Iniciou a sua clínica em Niterói e a manteve até falecer. Ingressou na política pelo Partido Liberal como vereador, em seguida, como deputado à Assembléia Provincial e constituinte da Assembleia em 1891. Muito ativo, ocupou cargos de grande responsabilidade também na vida empresarial (Companhia Cantareira e Viação Fluminense, entre outras). Comparecia a reuniões esportivas e sociais (Club de Regatas Nictheroyense, Hipódromo da Guanabara, este em São Gonçalo, e Jockey Club) e teve destacada atuação durante a epidemia de varíola em Niterói (1886). Gozava de muito prestígio entre seus colegas médicos (Miguel Couto, Tavares de Macedo entre outros) e grande popularidade em todas as camadas sociais por ter sido prestimoso médico e por exercer a sua profissão com dignidade.

Não foi à toa que seu súbito falecimento no dia 12 de março de 1899 – portanto aos 51 anos incompletos – causaria geral consternação. O corpo foi velado em sua residência, na Rua do Calimbá 19, rua que leva, atualmente, o seu nome.

A Rua do Calimbá consistia num trecho do Caminho do Calimbá que partia do mangue de São Lourenço, passava pelo Lomelino, encontro das atuais ruas Marquês do Paraná, Miguel de Frias, Dr. Paulo César e Avenida Gov. Roberto Silveira, e seguia em direção à antiga Fazenda Boa Vista. Após a morte inesperada do Dr. Paulo César, a Câmara niteroiense resolveu rebatizar o logradouro para reverenciar a sua memória, dando-lhe o nome do destacado médico.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 22/5/1996, e atualizado em nov/2017)