As alamedas Alcides, Barcelos e Carolina

Foi revirando a internet atrás de informações sobre logradouros em Niterói que descobri uma publicação de Emmanuel de Macedo Soares pouquíssimo conhecida, pelo menos penso que não ocupa a estante da maioria dos habitantes da cidade. É o livro “As ruas contam seus nomes”. Mas não é a edição de 1993 que é encontrada ainda em sebos por aí e sim uma edição bastante ampliada, da qual infelizmente não encontrei o ano em que foi publicada.

Como diz o autor na apresentação do livro, o município de Niterói possui mais de 3000 logradouros e que aumentam a cada dia que passa ou têm seu nome alterado por diversos motivos. Mesmo tendo sido descartados logradouros com nomes de cidades, animais, flores ou letras, nomes de santos e “nossas senhoras”, o volume possui cerca de 1300 páginas, fruto de minuciosas pesquisas, muitas vezes com pessoas nem sempre receptivas ou em locais de difícil acesso.

Assim, inauguramos essa série com as três mais conhecidas alamedas localizadas no morro de Santa Teresa, uma das elevações no bairro de Icaraí.

Caixa de fósforos do Banco Costa Monteiro: matriz em Niterói e uma filial no centro do Rio.

Alcides: Alcides Silva Costa, segunda mulher de João Batista da Costa Monteiro, foi por ele homenageada quando loteou as terras que possuía no morro de Santa Teres, ou do João Batista. Figurou com o marido entre os fundadores do Banco Costa Monteiro, a 15 de abril de 1932. Enviuvou em 1941 e faleceu em Niterói a 20 de julho de 1948, não tendo deixado filhos.

Barcelos: a alameda foi aberta com essa denominação por João Batista da Costa Monteiro. Português de Barcelim, Antônio José Pereira de Barcelos nasceu a 1º de março de 1885 e faleceu em Niterói a 20 de fevereiro de 1973. Veio para o Brasil com 13 anos. Em 1909 abriu em Niterói a Farmácia Barcelos, reinaugurada em 1911 com o nome de Drogaria Barcelos e vendida depois de sua morte à Drogaria do Povo. Era proprietário de extensa área na encosta do morro da Conceição, repassada em 1921 à Sociedade Portuguesa de Beneficência, da qual foi fundador, para construção do Hospital Santa Cruz. Fundou também o Rotary Club de Niterói, instalado a 8 de setembro de 1928 no Clube Central. Foi casado com Carmem Pacheco Barcelos (1890-1962), de quem deixou os filhos Rui Pacheco Barcelos e Dilma Barcelos de Melo.

Carolina: Carolina Ermelinda da Silva Costa nasceu a 24 de setembro de 1873 e faleceu em Niterói a 10 de julho de 1923. Era filha de Domingos de Souza Monteiro. Primeira mulher de João Batista da Costa Monteiro, foi por ele homenageada quando loteou o morro de Santa Teresa em 1929. Deixou filhos, alguns dos quais participaram com o pai da fundação do Banco Costa Monteiro em 1932.

Por último, uma quarta alameda compõe o conjunto, denominada Jornalista José Geraldo da Costa, antiga 24 de outubro. José Geraldo da Costa nasceu em Miracema, RJ, a 29 de maio de 1924 e faleceu em Niterói a 22 de fevereiro de 1954, assassinado por um funcionário municipal quando respondia pelo expediente da Prefeitura. Era filho de José Rodrigues da Costa e Maria Rodrigues Alvim da Costa. Interrompeu os estudos após a conclusão do curso ginasial no Colégio Salesiano de Santa Rosa. Ingressou a seguir no jornalismo como estagiário da Agência de Notícias Meridional, integrada aos Diários Associados, passando em três anos a diretor-secretário da empresa. Redator de O Jornal e colaborador do Diário de Notícias, foi aproveitado pelo interventor Amaral Peixoto no Diário Oficial do Estado do Rio. Em 1949 fundou com os irmãos Vasco, Sebastião e João Batista da Costa o Grande Jornal Fluminense, radiofônico que em pouco tempo alcançou ampla penetração em todo o Estado. De 1947 a 1950 atuou como chefe de gabinete do secretário de Educação e oficial de gabinete do governador Edmundo de Macedo Soares e Silva. Seu conterrâneo de Miracema, o prefeito Altivo Linhares requisitou-o para a Prefeitura em 1953. No bojo de uma crise política sem precedentes, provocada pelos entrechoques entre o prefeito e a Câmara, Altivo abandonou o cargo e viajou para Miracema, a 13 de fevereiro de 1954, deixando-o como responsável pelo expediente. A 22 [de fevereiro] José Geraldo era atocaiado e morto com cinco tiros pelo funcionário municipal Eduardo Cândido, quando almoçava no Restaurante Monteiro. O criminoso estava licenciado para tratamento psiquiátrico e pleiteava uma renovação de sua licença, retardada pelo tumulto que se instalara no andamento dos negócios municipais. Eduardo Cândido foi absolvido no primeiro julgamento, em 1956, e condenado no segundo, em 1957, tendo falecido na prisão.

Mapa atual do quadrilátero em que está inserido o morro de Santa Teresa. O morro é limitado pelas ruas Mariz e Barros, Gavião Peixoto, Ary Parreiras e Moreira César.

(Fonte: trechos de “As ruas contam seus nomes”, de Emmanuel de Macedo Soares)

 

 

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