O tortuoso caminho até Icaraí

Icaraí até meados do século XIX era uma região bastante distante, de difícil acesso. Indo em direção à praia, havia uma rocha no caminho com uma gruta que só se atravessava “de pé enxuto” na maré baixa. Ou, então, chegava-se lá pelas ruas da Conceição e Calimbá, atual Marquês do Paraná. Do livro “Notas para a História de Niterói”, de José Mattoso Maia Forte, apresentamos um trecho falando sobre o acesso pela praia:

“Fazia-se o trânsito de Niterói para Icaraí pelas ruas da Conceição e Calimbá (Marquês do Paraná), ou pela rua do Ingá, que partia do largo do palacete (São Domingos) e ia terminar na rua Áurea (Paulo Alves). Formava-se então a rua do Ingá da parte da rua José Bonifácio, compreendida entre a praça Leoni Ramos e a rua Tiradentes, e da atual rua Tiradentes. Descia-se pela rua Áurea e Praia de Icaraí [Praia das Flechas] e ao chegar à Itapuca, o transeunte encontrava a gruta.

‘O mar (diz um manuscrito que temos à vista), gemendo como um moribundo, furioso como um doido, penetrava por uma fresta estreita e baixa; e a sombria gruta, minada por ele, que nisso gastara bons séculos, ia elevando em forma de abóboda, à semelhança de uma galeria de seis a sete palmos de extensão [1 palmo ~ 22 cm], tendo na parte de terra um pórtico de vinte palmos de alto, de maneira que ficava dominada nas marés cheias. Quando, porém, baixavam as águas, passava-se por um túnel, sobre um chão calçado de seixos, para a Praia das Flechas [Praia de Icaraí], e esse era o único caminho, por ser a montanha de difícil acesso.

Essa beleza, entretanto, era um embaraço à comunicação franca das duas praias (Flechas e Icaraí) e a engenharia da época não descobrira o meio de conservar a gruta, abrindo uma passagem pelo morro, com um grande corte. A glória da iniciativa da destruição da gruta coube ao presidente Pedreira que, em 1849, aproveitando-se das boas disposições dos habitantes da Cidade, moradores no arrabalde de São Domingos, promoveu uma subscrição que foi agenciada pelo sr. […] e outros moradores do Ingá.

Em 1850 já a gruta estava destruída para gáudio dos moradores do Ingá; atacava-se a construção das muralhas e fazia-se o aterro em toda a extensão’.

Os restos da bela gruta ainda hoje são vistos no mar, desde o ponto de interseção das praias das Flechas e de Icaraí até a “Pedra do Índio”, que escapou à destruição por desnecessária.”

(Fonte: “Notas para a História de Niterói”, de José Mattoso Maia Forte, 2. ed., 1973, p. 77-78)

Na foto acima, está a curva da Itapuca após o desmonte do morro. A casa à esquerda deu lugar ao Edifício Itapuca.

 

Anúncios
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close