Vital Brazil

Área: 0,5 km2
População: 3064 habitantes (IBGE 2000)

O bairro limita-se com São Francisco, Icaraí e Santa Rosa — sendo um prolongamento destes dois últimos. A área do Vital Brazil compreende pequena planície, cortada por pequenos rios que desembocam no rio Icaraí; e por encostas do Morro do Cavalão. A parte mais baixa era alagadiça, formando charcos, até que a canalização dos rios tornou possíveis as edificações no local.

Esta área outrora pertenceu às fazendas Santa Rosa e Cavalão, sendo que ao longo do tempo essas terras foram vendidas e parceladas, datando do final da primeira metade do séc. XX o processo de ocupação e formação do bairro.

O fato responsável pela denominação do lugar foi a transferência do Instituto Vital Brazil, que funcionava em Icaraí, para “instalações melhores” no bairro, numa grande área onde funcionara uma olaria (1919). O importante trabalho desenvolvido pelo Instituto, hoje estadualizado, sempre recebeu amplo apoio dos governos estadual e municipal. Inicialmente o Instituto limitava-se à fabricação de medicamentos para uso humano (soros antiofídicos e vacina antirrábica), mas a partir de 1931 já preparava vacina antirrábica para uso veterinário e outros produtos do gênero. Em 1943 foram inauguradas as atuais instalações do Instituto, contribuindo para a diversificação de suas atividades e reconhecimento internacional do seu trabalho. Anexa ao Instituto, foi criada a Faculdade de Veterinária, hoje pertencente à Universidade Federal Fluminense.

O processo de ocupação ocorreu principalmente na segunda metade do séc. XX, intensificando-se nas últimas décadas, sobretudo pela ação de loteamentos (como por exemplo, o Jardim Icaraí) e pela cessão de terras do Instituto aos funcionários, para que construíssem suas moradias. Até alguns anos atrás as poucas casas do bairro eram entremeadas por inúmeros terrenos baldios.

Na área do Instituto, havia pastos (criação de cavalos por exemplo), sendo muito cobiçada, gerava conflitos, às vezes violentos, entre a Direção do Instituto (Dr. Vital Brazil) e invasores. Somente aos funcionários era permitida a construção, mas como não havia controle do poder público, as invasões foram acontecendo.

(Fonte: Niterói-Bairros – Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Niterói – 1991, via Cultura Niterói)

O bairro em 1950, com o Instituto Vital Brazil ao fundo.

 

 

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Pé Pequeno

Área: 0,34 km2
População: 3841 habitantes (IBGE 2000)

Tendo como limites Santa Rosa, Cubango e Fátima, o Pé Pequeno é um dos menores bairros de Niterói.

A origem do nome está associada ao surgimento do bairro. Quando a antiga Fazenda Santa Rosa (séc. XVIII) que dominava vasta região começou a ser desmembrada entre os seus herdeiros, a maior área ficou em poder de Antonio José Pereira de Santa Rosa Jr., conhecido também por Pé Pequeno. Este, por sua vez, vendeu parte das terras situadas à esquerda da antiga estrada do Calimbá (atual Dr. Paulo Cézar), logo transformadas em chácaras. Com o passar do tempo, as chácaras do Pé Pequeno, que abrigavam famílias de nível econômico elevado e alguns dos nomes ilustres do município, foram revendidas e loteadas. Abriram-se novas ruas e foram construídas novas residências.

Em meados da década de 40 começa a construção de várias casas no local, sendo as ruas saneadas e pavimentadas pouco a pouco, desenhando a atual configuração do bairro.

Embora até meados deste século o Pé Pequeno tenha acompanhado os mesmos processos de urbanização que deram origem a Santa Rosa, o bairro conseguiu resguardar-se de certa forma da explosão imobiliária que levou o vizinho a intenso processo de verticalização. O Pé Pequeno conseguiu manter-se como bairro horizontal de “status” eminentemente residencial.

(Fonte: Niterói-Bairros – Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Niterói – 1991, via Cultura Niterói)

 

 

Santa Rosa

Área: 3,06 km2
População: 27038 habitantes (IBGE 2000)

Limitando-se com Icaraí, Fátima, Pé Pequeno, Cubango, Ititioca, Viradouro, Vital Brasil e até com São Francisco pelo Morro do Souza Soares, Santa Rosa possui extensão considerável para um bairro da Região das Praias da Baía, sendo importante ponto de passagem para outras áreas de Niterói.

De ocupação antiga, Santa Rosa deve a sua denominação à antiga Fazenda Santa Rosa (séc. XVIII) que dominava vasto território. A sua história confunde-se com a de Icaraí, sendo na verdade uma expansão deste bairro. O crescimento e desenvolvimento de Santa Rosa/Icaraí é resultante de um modelo de urbanização no qual foram privilegiadas áreas preferenciais de ocupação, geralmente locais mais próximos ao centro urbano, ao litoral, ou mesmo, de mais fácil acesso (um vale ou planície, por exemplo). Desse modo, o que se viu após a partilha das fazendas que dominavam a região, foi uma ocupação primeiramente concentrada ao longo da praia de Icaraí, expandindo-se em seguida para o interior próximo, em direção a Santa Rosa.

No século passado, a paisagem do bairro ainda era muito exuberante. Nesse período, o bairro viu passar por suas estradas, tropas de mulas vindas do interior que desciam dos caminhos do Viradouro, Atalaia e Cubango em direção ao Centro. As suas principais vias, na época, eram a rua Santa Rosa e a estrada do Calimbá (atual Dr. Paulo Cezar). Diversas chácaras surgiram da partilha da Fazenda Santa Rosa e para elas foram atraídas famílias de poder econômico mais elevado. Viveram no bairro expoentes ilustres da história de Niterói e da antiga Província do Rio de Janeiro.

Com o retalhamento e loteamento de algumas chácaras, e o aterro de áreas alagáveis e capinzais, abriram-se novas ruas, facilitando o prolongamento das vias que partiam de Icaraí.

No ano de 1883, com a fundação do Colégio Salesiano, o bairro tornou-se mais conhecido ainda. Ao lado do Colégio instalou-se a Basílica e, nas proximidades, no alto do Morro do Atalaia, o Monumento a Nossa Senhora Auxiliadora, inaugurado em 1900. Atualmente encontra-se instalado na Basílica um órgão de 11.130 tubos, o maior da América Latina.

No final do século passado e início deste, aconteceram importantes melhorias no bairro. Diversas ruas foram saneadas, calçadas e iluminadas, sendo servidas por linhas de bondes de tração animal e, mais tarde, de bondes elétricos.

O crescimento recente de Santa Rosa seguiu os mesmos padrões de Icaraí. Já muito populosos, os dois bairros viram a substituição progressiva de suas casas por edifícios de apartamentos. Este intenso processo de especulação teve seu auge nas décadas de 60 e 70, com os apartamentos financiados pelo BNH. O boom imobiliário tem reflexos até os dias atuais. A construção da Ponte Rio-Niterói intensificou a verticalização imobiliária em terras fluminenses, devido ao estrangulamento da cidade do Rio de Janeiro e da metropolização de Niterói.

(Fonte: Niterói-Bairros – Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Niterói – 1991, via Cultura Niterói)

Santa Rosa, década 1930.