Os ingleses em Icaraí

NOMES DE logradouros, como Mr. Cunditt (Centro), Guilherme Briggs (São Domingos) e Greenhalgh (Icaraí) ou de instituições, como All Saints Church, Nictheroy Rest Home ou, ainda, de moradores, como George Cox, Abbott, Causer, Moore remontam à importância que a colônia britânica já teve em Niterói. De fato, os ingleses tinham interesses muito grandes em Niterói e vinham se destacando na cidade, desde tempos bem remotos.

Devido ao elevado número de membros, a colônia possuía sua própria escola, seu recolhimento para idosos, sua igreja e suas agremiações, além de casas comerciais e outras, como a Western Telegraphic Co. (atual prédio da Escola de Arquitetura da UFF) e a Leopoldina Railway, que ficava na Estrada Fróes.

Inauguração da sede do Rio Cricket, em 1931. Foto: autor desconhecido.

The Rio Cricket and Athletic Association, na Rua Fagundes Varela, foi fundada por George E. Cox, em dezembro de 1897, seguindo os moldes da associação fundada por ele no Rio, o Rio Cricket Club. A atual sede do clube, inaugurada em 1931, composta pelo prédio e pela bela faixa de terreno gramado à sua frente, pertencem a 12 acionistas: pessoas físicas de nacionalidade inglesa e pessoas jurídicas, a Wilson Sons, Shell do Brasil S.A., Cia. Souza Cruz, Bank of London e British Commonwealth.

Outros clubes fundados por ingleses foram o Fluminense Football Club, em 1902, o Yacht Club Brasileiro e o Rio Yacht Club, em 1914.

A igreja anglicana-episcopal All Saints Church, situada na Rua Gavião Peixoto, bem em frente ao Campo de São Bento, foi construída no estilo neogótico inglês. Sua pedra fundamental foi lançada em 1921 e sua consagração ocorreu no ano seguinte.

A Igreja Anglicana em dois tempos: em 1922, ano de sua inauguração, e no seu aspecto atual.

     

Atualmente, a colônia britânica está bastante reduzida, pela falta de renovação, pelo retorno de membros à sua terra natal ou, ainda, pelo fato de seus descendentes serem absorvidos pela comunidade não britânica. Os poucos ingleses que ainda residem em Niterói estão dispersos, não mais representando a importância que possuíram anteriormente.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 15/5/1996 e atualizado em março/2017)

*Foto de capa: the Icarahy Stakes, jogos comemorativos pela coroação do rei Jorge V, da Inglaterra, em 1910. Foto: Autor desconhecido, via Olhar Nictheroy.

 

 

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Homenageando o passado e o presente

O jornal “Casa da Gente”, no suplemento “Clubes” informa, em sua edição de fevereiro deste ano, que o Clube de Regatas Icaraí será o tema do enredo do “Fora de Casa”. O motivo, segundo o jornal, é homenagear o clube centenário e mostrar o que já realizou e está realizando.

foradecasaDe acordo com a matéria, “a direção e os componentes do “Fora de Casa” correm contra o tempo para o desfile que farão na Rua da Conceição, onde haverá apresentações das escolas de Samba e Blocos carnavalescos em Niterói. “Queremos e vamos mostrar tudo que foi e vem sendo realizado no centenário Clube de Regatas Icaraí, nosso grande Enredo”, afirma o presidente Jorginho do Bairro, dirigente máximo daquela entidade do samba.

Enquanto isso, um grupo de diretores e associados do Regatas Icaraí, liderados por Adir dos Santos e Alfeu Cavararo, presidente e vice do tradicional Clube, mobilizam-se para o Clube fazer bonito durante a passagem pela passarela do samba, em Niterói, comentam todos.

Esquentando os Tamborins

No Regatas, sediado na Avenida Jornalista Alberto Torres, Praia de Icaraí, os frequentadores, inclusive dezenas de pessoas que almoçam diariamente no restaurante que funciona no tradicional Clube, esquentam os tamborins com a passagem da Banda do Ingá, na frente da agremiação.

Alfeu Cavararo, entusiasmado pelo Regatas ter sido escolhido como enredo do “ Fora de Casa”, lembra o samba é bonito. “Espero que a comunidade da agremiação que nos homenageia, cante com muita desenvoltura”, afirma.

A visita do astronauta Yuri Gagarim, as muitas competições e os grandes eventos sociais realizados no Icaraí, serão mostrados pelo samba e adereços.

(Fonte: jornalcasadagente.blogspot.com.br, sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017)

 

“As sedes do Clube Central”

“Neste casarão (foto abaixo) da Rua Presidente Pedreira 65, então pertencente à família Armando Lassance, instalou-se a sede do Clube Central, fundado em 18 de julho de 1920. O imóvel serviu temporariamente como Palácio do Governo, e o clube transferiu sua sede para a Rua Presidente Pedreira 138 e, em 1932, para o casarão onde funcionou o Colégio Guanabara, na Praia de Icaraí 335, e que foi abaixo, em 1976, para surgir o “Palácio de Mármore”, de quatro pavimentos.

Nas gestões do Almirante Gustavo Gurgulino e do engenheiro Rubem Maragno, o casarão da foto antiga, com um anexo moderno, a Escola Estadual Aurelino Leal, que funcionou em vários endereços.

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Neste prédio (foto abaixo) na Rua Presidente Pedreira 138, o Clube Central instalou a sua segunda sede, desta vez em imóvel próprio; logo após a sede antiga, alugada, passou a funcionar como Colégio Estadual, possivelmente em 1923, defronte ao Palácio do Governo Estadual (atual Museu do Ingá).

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Em 1932 o clube se transferiu para uma mansão na Praia de Icaraí, demolida para dar lugar à sede atual. O imóvel da Rua Presidente Pedreira 138, dividido em duas unidades, foi residência do deputado estadual Jayme Bittencourt, na passagem da década de 40 e 50 e é a residência de uma das suas filhas.”

(Fonte: “Memória de Niterói (XLIII)”, Jornal de Icaraí, 20 a 26 de agosto de 2016, Cidade, p.9)

 

Observações minhas: A matéria acima foi publicada no jornal A Tribuna, em anos passados, e agora saiu no jornal de Icaraí. Pretendo aprofundar a pesquisa iconográfica, para conferir se essas fotos são realmente das antigas sedes do Clube. A primeira não me parece ser do atual Colégio Aurelino Leal, as janelas inferiores têm outro formato, a platibanda é diferente (ou foi totalmente descaracterizada?), bem como as proporções da altura da platibanda e de outros elementos da fachada. A casa da segunda foto, onde se lê que é a “residência de uma das suas filhas”, se ela ainda existe, não a encontrei, muito menos o número 138. Veja as fotos atuais, respectivamente, do colégio e do suposto número 138:

O Colégio Aurelino Leal, em seu estado atual, à esquerda, e em foto de 1922, à direita:

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E agora o suposto número 138 da mesma rua:

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Encontra-se bem na esquina da rua Nilo Peçanha. Comparando com a foto do artigo, não parece tratar-se da mesma casa. Pode até ser que a numeração da rua tenha sido modificada…

 

 

Clube Central

A sede do Clube Central se localiza em posição privilegiada, bem ao centro de toda a extensão da Praia de Icaraí.

Agremiação social tradicional em Niterói, o Central nasceu no Ingá. Foi fundado em 18 de julho de 1920, por personalidades proeminentes da sociedade de então, iniciando suas atividades num casarão que pertencia à família de Armando Carreira Lassance, localizada na Rua Presidente Pedreira 65. Mudou de sede várias vezes: ocupou por algum tempo o prédio onde hoje funciona a Escola Estadual Aurelino leal, em frente ao Palácio do Ingá, e, em abril de 1921, a sede foi transferida para o nº 138 da mesma rua, sua primeira sede própria.

Finalmente em fevereiro de 1932, o clube mudou-se para a mansão onde funcionou o Colégio Guanabara, situado na Praia de Icaraí 335, local em que se situa até hoje.

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O Clube em 1960. Foto: Carlos Ruas.

Naquela época o clube foi palco de reuniões dos políticos do Estado do Rio, em que foram tomadas importantes decisões.

Pela presidência do Clube Central já passaram 25 presidentes, sendo o primeiro Armando Carreira Lassance, que permaneceu no cargo até 1932.

Em 1973, durante a gestão de Gustavo Gurgulino de Souza, começou-se a estudar a viabilidade de construção de uma sede que atendesse melhor às crescentes atividades do clube.

A obra da nova sede, projeto do arquiteto Manoel Machado, foi executada durante a gestão do presidente Rubens Maragno e inaugurada no dia 18 de julho de 1976, ano do 56º aniversário do clube.

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Conhecido como “Palácio de Mármore”, o prédio compõe-se de quatro andares, que abrigam um imponente hall de entrada, salão nobre, uisqueria, auditório, salas da diretoria, espaço jovem e um grande terraço, de onde se descortina bela vista da Baía de Guanabara e da cidade do Rio de Janeiro, além do parque aquático e das saunas, muito frequentadas pelos sócios, principalmente nos meses de verão.

Em 1981, ainda na gestão de Rubens Maragno, foi inaugurado o Ginásio de Esportes, na Rua Moreira César 251, com as modalidades de quadra, ginástica, musculação, judô, jiu-jitsu, ginástica rítmica, etc. A quadra de basquete, recentemente reformada, encontra-se entre as melhores do Grande Rio.

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(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 20/3/1996, atualizado em 12/11/2016)

*Foto de capa: sede antiga da praia de Icaraí antes da demolição, 1969, autor desconhecido.

 

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Regatas

O Clube de Regatas Icaraí, ao lado do Grupo de Regatas Gragoatá (ambos de Niterói), do Botafogo e do Flamengo (no Rio de Janeiro), conta entre os clubes esportivos mais antigos do Brasil. Foram todos eles fundados no final do século passado, refletindo bem as preferências desportivas da época: o remo e a natação.

O Regatas, como o clube é conhecido, nasceu de um pequeno grupo de entusiastas pelo remo e de outros atletas que escreveram a rica história de glórias e conquistas desse clube.

A popularização do futebol e a transferência das regatas da Baía de Guanabara para a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, contribuíram para o declínio do remo em Niterói. Os clubes sofreram muito com essas transformações. Alguns até não conseguiram sobreviver.

O Regatas permaneceu graças ao trabalho incansável de seus dirigentes e de seus sócios. A primeira sede do Regatas foi um modesto barracão de madeira e zinco. Em 1907 construiu-se a segunda sede, já em alvenaria.

Entretanto, o terreno onde se localizava o clube passou por diversos proprietários. Finalmente na década de 1930 a sua posse foi legalizada, por intermédio de Ary Parreiras e se sucessor no governo do Estado, Newton Cavalcanti.

A sede atual foi construída na década de 1940, a partir de um arrojado projeto do arquiteto Orlando Campofiorito. Previa um edifício de três andares com salões de festas, salas para a diretoria e departamentos, garagem de barcos, quadra e piscina.

Dentre as personalidades que marcaram o Regatas, podemos citar: o Almirante Ary Parreiras, considerado o maior benfeitor do clube; Otávio Mafra, fundador e primeiro presidente do clube; seu irmão Celso Mafra, um dos idealizadores do novo clube. Arnaldo Nunes de Souza, que dedicou sua vida ao Regatas; Quirino Campofiorito, diretor e instrutor de remo e natação; e, ainda, Honório Peçanha, Álvaro Tatto, Gastão Mariz de Figueiredo, Mário Rocha, entre tantos mais.

(Fonte: “Cem anos de regatas”, de Emanuel de Macedo Soares, 1995)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 17/1/1996)

*Foto de capa: sede do Regatas, 1943, autor desconhecido.

 

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