“Praia de Icaraí”

A Praia de Icaraí e seu famoso trampolim, lugar nobre, gente bonita, o “footing” ao entardecer, as areias sempre lotadas no verão, o frescobol, as filas no Cinema Icaraí, os frequentadíssimos bailes do Clube Central e do Clube de Regatas Icaraí, as alegres gincanas, um pôr do sol de arrepiar, escadas com corrimão de cimento trabalhado para descermos até a areia, sem sujeira ou poluição, as crianças catando tatuí, fritando-os ao chegar em casa garantindo o almoço. As boias eram câmaras de ar e as bicicletas, muitas bicicletas, encostadas nas árvores e na mureta da praia, sem cadeados. Seus donos ao voltarem do banho de sol e do mergulho tinham a certeza de que não haviam sido roubadas.

Quem se lembra dos belos corrimões que cercavam as escadas para descer até a praia? A garotinha faz pose junto a um deles.
Bicicletas na praia

Hotel Cassino Icaraí

Este merece um capítulo à parte. Além da jogatina, local de belos e luxuosos shows com famosos artistas nacionais e internacionais e um restaurante para ninguém botar defeito. Muita gente frequentava o Hotel Cassino Icaraí só para jantar e assistir aos shows, salão de jogos nem pensar. Movimento intenso, o jogo atraía gente de prestígio, em noites esplendorosas e a elegância dos frequentadores, predominando o charme do mundo feminino. No moderno palco, Frei José Mojica, mexicano, um misto de tenor e religiosos se apresentou pela primeira vez no Brasil.

Os artistas se revezavam entre os Cassinos da Urca, Icaraí e Quitandinha, geralmente nesta ordem, empresariados por Joaquim Rolla, também administrador dos três Cassinos e personagem de destaque no mundo político e social daqueles tempos.

Um detalhe de que poucos devem se lembrar: o Hospital Municipal (na época) Antônio Pedro foi construído e totalmente equipado com os impostos oriundos do Cassino. Os aparelhos foram comprados nos Estados Unidos pelo prestigiado médico Mário Monteiro que viajou para lá, única e exclusivamente para tal fim. Com uma equipe médica de qualidade, abrangendo todas as especialidades. As pessoas falavam: se acontecer algum problema de saúde ou acidente me leva para o Antônio Pedro. Sabiam que havia sempre médicos conceituados e de todas as especialidades de plantão. Que diferença para os dias de hoje…

Proibido o jogo, no Governo do General Eurico Gaspar Dutra, em plena ditadura, o Hotel Cassino Icaraí foi comprado pela família Paz. Funcionou por vários anos não só o hotel, como o restaurante, o cinema, o “Grill Room” e a “Boite Blue Sky”, até ser adquirido pela UFF (Universidade Federal Fluminense), onde funciona até hoje a Reitoria.

(Fonte: Carlos Ruas, Niterói de outros tempos: fatos, festas e fotos)

Vista aérea da parte central de Icaraí, onde sobressaíam muitas casas, mas os prédios já começavam a tomar conta dos espaços.
Praia de Icaraí vista do Canto do Rio. Em primeiro plano à direita da foto o famoso Bar do Honorato, único lugar para se tomar as “louras suadas” como dizia o colunista Hercílio Miranda ao referir-se às cervejas. Ali, os bondes faziam o contorno para voltar ao centro da cidade.

 

 

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O Asilo de Santa Leopoldina II

O imponente prédio situado à rua Miguel de Frias, antiga rua da Constituição, é a sede do Asilo de Santa Leopoldina, criado nos meados do século 19. Foi ele fundado no dia 24 de junho de 1854. Sua fundação está ligada a alguns nomes de projeção na sociedade fluminense do tempo do Império. A ideia de se criar, em Niterói, um estabelecimento que abrigasse crianças órfãs foi do Presidente da Província, Luís Antônio Barbosa, e a execução do projeto coube ao Barão do Rio Bonito, João Pereira Darrigue Faro, quando na Presidência da Província.

A lei provincial nº 537, de 19 de junho de 1850, estabeleceu as normas para a criação do Asilo: “Fica criado, na cidade de Niterói, um Asilo para a infância desvalida e autorizado pelo Presidente da Província para dar-lhe os regulamentos necessários, podendo desde já despender a quantia de 4:000$000 anuais com o custeio de semelhante estabelecimento a alugar um edifício para sua fundação. Este estabelecimento gozará, além disto, dos mesmos favores que gozam as casas de Caridade da Província.”

Sua primeira sede foi uma casa situada no Largo da Memória, hoje Praça Gen. Gomes Carneiro (Rink), e, para sua instalação, D. Pedro II concorreu com a quantia de 3:000$000 e a Imperatriz com 2:000$000 de esmola. Para o Asilo também concorreram esmolas de cidadãos de vários municípios e Câmaras Municipais.

O estabelecimento foi colocado sob a proteção dos Imperadores, que sempre o prestigiaram, comparecendo às suas festas e percorrendo suas instalações, todas as vezes que vinham a Niterói.

À Irmandade de São Vicente de Paulo coube a orientação das crianças admitidas no Asilo. Estas aí completavam seu curso de letras e prendas domésticas, e, ao atingir 21 anos, saíam para contrair matrimônio ou para se colocar em casa de famílias conceituadas.

Dentre seus operosos Provedores, destacou-se, no Império, o Barão de São Gonçalo, Belarmino Ricardo de Siqueira. Era ele Comandante Superior da Guarda Nacional e amigo pessoal do Imperador. Exerceu, por muitos anos, o cargo para o qual fora indicado pelo Soberano.

(Fonte: “Páginas de História Fluminense”, de Thalita de Oliveira Casadei, ed. 1971)

 

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Asilo Santa Leopoldina

Dentre as instituições filantrópicas tradicionais de Icaraí existentes até hoje, está o Asilo Santa Leopoldina.

Criado no século XIX pelo Vice-Presidente da Província, João Pereira Darrigue de Faro, em substituição ao Presidente Luiz Antônio Barbosa, o Asilo inicialmente ocupou um prédio junto ao Largo da Memória (atual Praça Gen. Gomes Carneiro, conhecida por nós como Rink), com a finalidade de “abrigar, educar e instruir meninas órfãs”. Estiveram presentes à solenidade D. Pedro II e D. Teresa Cristina, seus protetores.

Em 1856 foi levado o Santíssimo Sacramento, em procissão, à nova sede, também provisória, na Rua da Praia (aual Visconde do Rio Branco). Nessa ocasião, houve exposição de trabalhos manuais das internas.

Pouco antes, em 9 de agosto de 1855, foi lançada a pedra fundamental da sede definitiva, na Rua da Constituição (atual Miguel de Frias). Após longo período de obras, o prédio novo foi, finalmente, inaugurado em 15 de janeiro de 1864, onde permanece até hoje.

Entre seus provedores destacou-se José Júlio Pereira de Morais, o Visconde de Morais.

O Asilo também foi visitado por personalidades ilustres, como o Frei Francisco do Mont’Alverne, “honrado por um rei e dois imperadores e acatado pela autoridade eclesiástica como oráculo da ciência.” Já no início deste século, no dia 31 de outubro de 1906, as internas deram vivas ao Presidente da República, Rodrigues Alves, quando da inauguração dos bondes elétricos em Niterói.

Junto ao Asilo, administrado por religiosas da Ordem de São Vicente de Paulo, funcionam, atualmente, o Colégio São Vicente de Paulo e a Capela de Santa Leopoldina.

(Fonte: “Niterói, Cidade Sorriso”, de Carlos Wehrs, 1984)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 25/10/1995)

* Foto do cabeçalho: o Asilo Santa Leopoldina, sem data, autor desconhecido.

 

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Hotel Balneário Casino Icarahy

Foi numa terça-feira, 30 de abril de 1946, que as roletas dos cassinos no Brasil pararam de girar.

Entre os grandes e os mais elegantes daquela época, sem dúvida, encontrava-se o Hotel Balneário Casino Icarahy. Com 107 apartamentos, duas quadras de tênis, dança, música e muito jogo, o prédio em estilo Art Déco foi construído no local onde antes havia um palacete residencial de três andares datado de 1916.

O Casino Icarahy já foi ponto importante na vida noturna da cidade. Seus shows eram concorridíssimos: apresentavam-se em seus salões os maiores astros da época: Josephine Baker, Pedro Vargas, Carmen Miranda, Grande Otelo, Francisco Alves entre tantos outros.

Desde 1967, o prédio abriga a Reitoria da Universidade Federal Fluminense. Mas nem por isso perdeu a sua vocação de lazer e entretenimento: o Cine Casino, antigo salão de jogos, atualmente funciona como cinema e o Cine Grill é ocupado pelo Teatro e pela Galeria de Arte da UFF.

(Fonte: pesquisa do historiador Cesar Augusto Ornellas Ramos)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 30/8/1995)

Foto do cabeçalho: 1947, autor desconhecido.

 

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