MEC libera verba de R$ 1 milhão para reabertura do Cine Icaraí

O recurso foi solicitado nesta semana pelo reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Sidney Mello

Por Pamella Souza

O Ministério da Educação liberou para a Universidade Federal Fluminense (UFF) a verba de R$ 1 milhão para a conclusão do projeto executivo de reabertura do Cine Icaraí, fechado desde 2006. O recurso foi solicitado pelo reitor Sidney Mello, em visita ao secretário de Ensino Superior Paulo Barone, em Brasília, na última segunda-feira.

A ideia é transformar o local, que já foi um dos grandes cinemas de rua do Estado, em um centro cultural. Além disso, o Cine Icaraí se tornará sede da Orquestra Sinfônica Nacional e da Companhia de Ballet de Niterói.

“Vamos conseguir dar continuidade ao projeto básico do Cine Icaraí com essa verba enviada pelo MEC. O adiantamento de R$ 15 milhões solicitado para a reabertura de parte do cinema ficará para o próximo ano. Mas já é um passo importantíssimo”, ressaltou Sidney Mello.

As obras do Instituto de Química, no campus da Praia Vermelha, também ganham novo fôlego. O MEC liberou um adiantamento na ordem de R$ 4 milhões para dar prosseguimento às obras. A expectativa é que os alunos contem com o prédio totalmente concluído no início de 2019.

De acordo com o reitor, uma equipe de trabalho está sendo organizada para tocar os novos investimentos.

“A obra já estava funcionando através de uma equipe administrativa. Agora, vamos montar um grupo de trabalho para acelerar esse processo”, explicou.

A verba de R$ 4 milhões, que já está disponível para a UFF, faz parte de um aporte de R$ 28 milhões de recursos do Ministério da Educação destinados especialmente para o Instituto de Química. A Petrobras, em parceria com a universidade, também disponibiliza R$ 19 milhões para a construção de laboratório de alta tecnologia.

Dívida – O terreno próximo ao Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap), que pertencia ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), acumula uma dívida de R$ 4 milhões, restantes ao pagamento de compra da área.

Procurado para quitar esse saldo, o MEC informou, através do reitor, que vai entrar em contato com o INSS para negociar a dívida e propor que o terreno seja totalmente repassado à UFF sem custo. Uma proposta de parcelamento já havia sido enviada pela universidade ao instituto, na tentativa de solucionar a questão.

“Vamos aguardar o MEC entrar em contato com a UFF. Quanto ao projeto de criar uma segunda unidade do Antonio Pedro, essa verba ficará para o próximo ano, pois o projeto ainda precisa ser avaliado pela Ebserh”, concluiu o reitor.

(Fonte: O Fluminense, Cidades, 17/11/2017)

 

 

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Nota Técnica do IAB sobre o Cinema Icaraí

Outra matéria, não tão recente – 29 de abril de 2011 – mas que continua atualíssima, fala a respeito de uma situação que se arrasta até hoje: a necessidade urgente de se dar uma solução ao antigo Cinema Icaraí. Trata-se de nota técnica do IAB sobre o cinema, publicada no blog Desabafos Niteroienses. Veja:

IAB – NLM 29.04.2011

Mais do que uma atitude romântica ou saudosista, a preservação dos imóveis, ambientes ou paisagens numa cidade atende à necessidade do ser humano, como integrante de um grupo social, de salvaguardar sua identidade. É através da preservação da sua história, aquela que abriga suas referências e que deve ser
passada aos seus descendentes, que o cidadão fortalece sua identidade.
Num ato, no mínimo, de distanciamento ou talvez de distração daquilo que é caro à população de Niterói, em 2006, a Câmara de Vereadores, à revelia da manifestação do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural – CMPC, aprovou a Lei 2381/06 e alterou o tombamento que protegia o Cinema Icaraí desde
2001.

Naquela ocasião o Conselho identificou e apontou os efeitos desastrosos da aplicação dos dispositivos contidos na Lei, pois a alteração volumétrica aí permitida aniquilaria a imagem do bem, suporte material dos valores intangíveis que este encerra.

A referida Lei explicitamente favorece os interesses do mercado imobiliário, pois aumenta significativamente o gabarito do lote, atingindo a altura dos prédios vizinhos, o que corresponde a, pelo menos, dez pavimentos tipo e se utiliza, ainda, da condição de tombamento da fachada para manutenção do antigo alinhamento de construção, garantindo para ocupação no lote área maior que àquela decorrente da incidência de afastamentos ou recuos, como ocorre nos vizinhos, propiciando, assim, potencial construtivo vantajoso para empreendimentos habitacionais.

Diante da iminente ameaça ao bem cultural, este IAB mobilizou-se em reunir documentação e encaminhar ao INEPAC, órgão estadual, solicitação para tombamento do imóvel. Na mesma época, outros segmentos também se mobilizaram em manifestações de claro apreço ao Cinema, contribuindo para a compreensão pelo órgão de proteção estadual do valor atribuído ao bem pela população de Niterói.

O tombamento estadual foi então realizado em 26/11/2008, através do processo E-18/001.281/07 e neste ressaltou a importância arquitetônica, cultural, urbanística e afetiva do bem e estabeleceu como área de tutela para a proteção a Praça Getúlio Vargas, o que garante sua efetiva preservação.

Uma vez tombado o imóvel perde o valor financeiro especulativo que lhe havia sido atribuído com a alteração da lei de Niterói, descontentando aqueles se beneficiariam desta condição e a partir daí se instala um ambiente de tensão não explícita entre estes e a sociedade, que se mantém mobilizada na defesa de seu patrimônio. Nesse quadro assiste-se à progressiva deterioração do bem, que se mantém ocioso e foco de degradação do entorno, fato que aparentemente não incomoda seus responsáveis, uma vez que não deprime o valor financeiro que ainda pretendem auferir com o imóvel. Pelo contrário, a perpetuação do descaso tende a
promover uma reversão de valores, fazendo com que a vizinhança acredite que o erguimento de uma nova edificação trará a valorização do lugar, sem cotejar o quanto perde nessa operação, especialmente por tratar-se de valores não mensuráveis na mesma “moeda”.

Com o olhar um pouco mais atento é possível identificar que alguns setores da sociedade, comprometidos com interesses localizados, fazem coro em depreciar políticas oficiais de preservação, acusando-as de “engessar” as cidades e serem alienadas do processo de desenvolvimento, discurso de fácil propagação dada a fragilidade das noções relacionadas a história, patrimônio, direito, educação, cidadania e afins na formação escolar, ainda precária no nosso estágio de desenvolvimento.

Nesse contexto, tem-se como fato mais recente a proposição de um novo projeto para o local, revestido de todos os símbolos de encantamento para os segmentos menos avisados que aspiram rápida emergência, se equiparando, com mínimo esforço, aos países ricos do mundo.

Segundo notícia de jornal no projeto “…houve a inserção de uma torre que interage com a linguagem histórica artística e cultural”. Cabe refletir, baseado em quais princípios de composição plástica é feita essa afirmação ou seria apenas uma frase de efeito para influenciar os leitores? O projeto é equivocado quando “espeta” uma torre de vidro no bem tombado, com altura aproximadamente três vezes a original, numa relação desproporcional entre os volumes, bem como nos demais elementos compositivos, especialmente na adoção de adornos “gratuitos”, aniquilando a linguagem “art decô” e alterando intensamente a imagem do imóvel, justo aquela característica da expressão plástica de cinemas daquela época.

Nesta iniciativa foi arrolado um colega, com atuação relevante e respeitada no meio profissional e que, provavelmente, numa atitude desavisada elaborou o projeto em tela que poderia vir a ser objeto de discussão na classe e na sociedade, como usualmente se dá com aqueles de maior impacto, seja pela ousadia
plástica, uso proposto, tecnologia empregada ou mesmo por afrontarem situações anteriormente estabelecidas, especialmente as de ordem legal.

Ocorre que, neste caso, o cerne da discussão é menos a presença de mais um edifício, ainda que com uso pioneiro na cidade, mesmo que sua hipotética presença decorra de um caminho legal menos ortodoxo e mais a agressão que tal intervenção promove ao patrimônio cultural. Neste momento, está em jogo a preservação das características arquitetônicas, culturais e urbanísticas do imóvel e do lugar, legalmente protegidas e popularmente defendidas, o que conduz a discussão para um estreito caminho onde o conjunto da sociedade e o poder constituído têm o desafio de encontrar solução que resguarde o interesse público do imóvel.

Caberia equacionar operação que através da remuneração justa ao proprietário (por desapropriação ou outro dispositivo legal pertinente) o imóvel fosse disponibilizado para instalação de uso adequado, ou seja aquele que além de ser compatível com suas características arquitetônicas e urbanísticas, atenda ao interesse público e fortaleça sua identidade e os valores cultural e afetivo de que é detentor.

IAB – INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL / RJ – NÚCLEO LESTE METROPOLITANO

(Fonte: Blog Desabafos niteroienses)

Mais sobre o Cinema Icaraí:

Triste é ver o estado de abandono em que se encontra esse monumento tão significativo para a história do bairro e da cidade. Até quando? 

 

 

Álbum

O livro A Capital Fluminense (Álbum de Nictheroy) datado de 1925, de Júlio Pompeu de Castro Albuquerque, é uma importante contribuição para a história de Niterói. Rica em fotografias e dados estatísticos, a publicação traça um perfil da vida urbana naquela época.

A população de Niterói, por exemplo, em 1920, era de 86.238 habitantes, em comparação com o ano de 1900, quando a cidade contava, ainda, com 53.433 habitantes.

Entre os moradores havia muitos estrangeiros: portugueses (9.488), espanhóis (960), italianos (750), ingleses (459) e alemães (228), que ocupavam as mais variadas profissões. A presença maciça de ingleses e alemães justificou a criação, respectivamente, do Rio Cricket (Clube dos Ingleses), localizado na Rua Fagundes Varela, e a fundação da Comunidade Luterana (com cultos em alemão), situada no Morro de Santa Teresa, em Icaraí.

69-casa-de-saude-icarai-icarai-niteroi-a-dDentre as instituições de saúde, podemos destacar a Casa de Saúde Icaraí que se localizava na Praia de Icaraí 49 e era dirigida pelos clínicos Drs. Antônio Pedro Pimentel (fundador da Faculdade Fluminense de Medicina), Ernani de Faria Alves e Leonídio Ribeiro Filho. A Casa era a “única existente no Estado do Rio, installação completa, com aparelhos dos mais modernos, modelar estabelecimento; com secção de Maternidade, sob a direção do Dr. Oliveira Motta.

As agremiações também já marcaram presença, em particular, o Clube de Regatas Icaraí e o Clube Central, este ainda bastante jovem, pois tinha sido fundado uns poucos anos antes: em 1920.

O Álbum retrata em especial o bairro de Icaraí, mostrando através de fotografias o Campo de São Bento, o desfile de um bloco carnavalesco na Rua Cinco de Julho e as belas mansões e vivendas localizadas na Praia de Icaraí. Sem dúvida, o Álbum de 1925, como é conhecido, é uma obra rara e importante fonte de pesquisa não só para historiadores, como também para aqueles curiosos em conhecer um pouco mais da história da cidade. Um exemplar dessa valiosa obra encontra-se no Centro de Memória Fluminense, na Biblioteca Central do Gragoatá/UFF, e faz parte do acervo Carlos Mônaco.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 31/1/1996)

* Capa: Foto da antiga Casa de Saúde Icaraí localizada na Praia de Icaraí.

 

 

Pedra da Itapuca

Inserida no bairro de Icaraí e símbolo de Niterói, a Pedra ou Arco de Itapuca é hoje apenas uma lembrança do que foi em épocas passadas. Ita-puca quer dizer pedra furada ou, em outra linguagem, arco de pedra. De fato, havia um arco que se apoiava, de um lado no morro próximo, de outro junto ao mar, e que só podia ser atravessado a “pé enxuto” com maré baixa.

Aos poucos a parte suspensa do arco ruiu, sobrando apenas as pontas dos dois lados. Com o passar do tempo a parte junto ao mar ficou reduzida a um pequeno amontoado rochoso que foi demolido durante a gestão do Prefeito Otávio Carneiro, com o objetivo de alargar o caminho para Icaraí e continuar a amurada do cais.

Do lado do morro, após o desmoronamento, permaneceu um longo nariz de terra, cuja queda amedrontava a quem passasse por ali.

Finalmente, depois de um prolongado período de chuvas, o nariz caiu, felizmente sem causar acidentes pessoais.

Ante o desaparecimento da verdadeira Pedra da Itapuca, seu nome foi transferido para uma pedra próxima, o que não invalida, em absoluto, a lenda que é contada há gerações.

(Fonte: “Minha Terra e minha Vida”, de Everardo A. Backheuser, 2ª ed. 1994)

 

A lenda

Atribui-se ao cronista Álvaro de Oliveira a lenda sobre a Pedra da Itapuca, símbolo de Niterói.

Conta a referida lenda que “a bela índia Jurema, de olhos grandes e pele tostada pelo sol, prometida ao mais forte e bravo de sua tribo, estava na praia, quando se deparou com Cauby, de nação estranha.
Desde então, os dois passaram a ali se encontrar, Jurema cantando e Cauby ouvindo, enlevado, até que foram descobertos.
Atacados os dois amantes, Cauby foi obrigado a fugir e Jurema, ferida, nunca mais cantou.

Passou-se o tempo e Jurema, na véspera de seu casamento, mais uma vez dirigiu-se à praia. Deu-se então o inesperado: Cauby, emergindo das águas, veio ao seu encontro. Os dois, abraçados, deixaram-se ficar na areia, protegidos pela Lua, até que os guerreiros da tribo novamente os cercaram enfurecidos. A luta seria desigual e os amantes pagaram inevitavelmente com a vida. Foi quando Tupã, a pedido de Jacy, a Lua, abençoando o amor de Cauby e Jurema, transporta-os no milagre ao interior da pedra onde eternamente se uniram.”

(Fonte: “Mater Dei Express”, Ano 1, nº 3, outubro 1995)

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 29/11/1995)

*Foto de capa: a Pedra da Itapuca, em primeiro plano, vendo-ao fundo a Ilha da Boa Viagem, década 1920, autor desconhecido.

 

Galeria
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