Dr. Paulo Cesar II

Pesquisando mais um pouco sobre Dr. Paulo César de Andrade, encontramos na internet uma matéria, versando sobre outros interesses do personagem acima, além da Medicina. Veja:

O sonho do hipódromo

Por Jorge Nunes

Durante todo o século XIX, as corridas de cavalo eram praticamente a única distração esportiva – com o “plus” de uma aposta – que existia na cidade, pois o futebol e outras modalidades aqui só chegaram no século XX. Que o diga o comerciante da Venda da Cruz, que as promovia todos os domingos em frente a seu estabelecimento comercial, mas não se identificava, para evitar problemas. Era o princípio de 1885, porém bem antes, em 1857, os jornais já anunciavam corridas no Fonseca e no Maruí, com cavalos do Cabo, para onde os gonçalenses iam quando por aqui não havia nada similar programado.

Portanto, era natural que aqui também se quisesse algo oficial do gênero: afinal de contas, já existiam pelo menos cinco hipódromos no Rio e, na Província, os municípios de Petrópolis e Nova Friburgo tinham os seus. E não existiria na capital da Província? Absurdo.

Por isso, em 28 de fevereiro de 1885, reuniram-se 27 pessoas, por iniciativa do médico Paulo Cesar de Andrade (1848/1899) e do conde de Herzberg (Carlos de Herzberg nasceu em Hanôver, Prússia, atual Alemanha, em 11 de janeiro de 1822, era capitão reformado do exército prussiano e instrutor de cavalaria, veio para o Rio, foi um dos fundadores do Jóquei Clube Brasileiro e empresário funerário no Rio, era casado com Leopoldina Suckow e faleceu em 15 de setembro de 1899), para criar o hipódromo do lado de cá da Guanabara. A presidência dos trabalhos coube inicialmente ao dr. Paulo César, que a transmitiu ao comendador e empresário Domingos Moitinho quando este chegou ao evento. O fazendeiro em Neves, José de Moraes e Silva, ofereceu ampla área junto ao mar e, para avaliá-la, foi composta comissão integrada pelo Conde Herzberg, comendador Henrique Possolo, Francisco Luiz Tavares, Cesar Bourbon e o engenheiro Dionísio da Costa e Silva, ao mesmo tempo tendo sido adotados provisoriamente os estatutos e o código de corridas do jóquei da corte. Dias depois, a comissão estimou em 6:000$000 o valor do terreno, tendo sido assinada em 27 de abril a escritura de compra.

Antes, em 15 de março, foi realizada a reunião de eleição da diretoria (médico Paulo Cesar de Andrade, presidente; Henrique Possolo, vice-presidente; Leopoldo da Cunha Júnior e o médico Torquato de Gouveia, 1º e 2º secretários; e Bernardo Belisário de Lemos Silva, tesoureiro) e dos conselhos geral e fiscal. Aceitou-se a avaliação do terreno oferecido por Moraes e Silva e decidiu-se a denominação do hipódromo: Guanabara. Para construí-lo, foi aberta concorrência, de que participaram o construtor Inácio Tavares de Souza, de Botafogo, e a Sociedade Edificadora, de São Cristóvão, que propuseram 36:500$000 e 59:000$000, vencendo a primeira participante. O projeto, do engenheiro Dionísio da Costa e Silva e do arquiteto Heitor de Cordoville, previa raia de 1300 metros de extensão e arquibancadas com 138 metros para 1300 a 1400 pessoas, além das demais dependências. As obras tiveram início em 23 de maio, com previsão de conclusão a tempo de sua inauguração em sete de setembro, mas as chuvas causaram o retardamento por dois meses.

Porém, como levar os espectadores até lá? O próprio hipódromo construiu um cais de atracação para receber as lanchas da Companhia Ferry vindas do Rio e de Niterói; a Ferro Carril Urbano de Niterói, cujos bondes iam até o Barreto, solicitou, e obteve em 25 de maio, autorização para estender seus trilhos até Neves (cuja inauguração foi realizada em 18 de outubro); e o próprio José de Moraes e Silva abriu em suas terras uma rua, a que denominou Cônego Goulart (como é até hoje), para garantir o acesso daqueles que chegassem à estação da Estrada de Ferro Leopoldina, nas imediações.

A festa de inauguração foi algo excepcional. Para atrair visitantes, até então só tínhamos a Festa do Divino Espírito Santo, na Igreja Matriz de São Gonçalo, e o hipódromo marcou época. No dia oito de novembro de 1885, era ele inaugurado com pompa e circunstância. A empresa Carris Urbanos de Niterói colocou mais bondes em circulação entre Niterói e Neves, a Companhia Ferry (que fazia a ligação marítima entre Rio e Niterói) criou linhas especiais da corte diretamente às Neves, aproveitando o cais que neste hoje bairro de São Gonçalo fora construído, e diligências, tílburis e charretes faziam a ligação do centro de Niterói e também do arraial de São Gonçalo com o novo prado.

Depois das providências de praxe, com a banda do corpo policial (atual PMERJ) tocando as músicas da época e com o desenlace da fita inaugural, passou-se ao que interessava: as corridas. O primeiro páreo (Nictheroy) foi vencido por Sova, chegando em segundo lugar o cavalo Tchan Tchin-Tsung: o segundo páreo (Conde de Herzberg) teve como vencedores Aymoré e África; o terceiro (Oito de Novembro, data da inauguração), Bilter e Americana: o quarto (Animação) teve tantos animais (17) inscritos, que foi dividido em duas séries, vencendo a primeira as éguas Carolla e Bela Yayá e, a segunda, os cavalos Savana e Didi; o quinto (Experiência), Pastor e Sudamerikanyche; o sexto (Hyppodromo Guanabara), Pheynea e Garibaldi; e o sétimo e último páreo (Criadores), foi vencido por Garibaldi e Jaguary. As corridas variavam em extensão de 850, 1000, 1200 ou 1609 metros. O volume de apostas superou as expectativas: 52:680$000.

O leitor poderá estranhar que aqui não haja a citação dos jóqueis vencedores. Mas é preciso explicar: na época (e até boa parte do século XX), os importantes eram apenas os animais e não os seus condutores, notícia apenas quando se acidentavam. Que o diga o jóquei Francisco Luiz, que começou sua carreira no Hipódromo Guanabara, em Neves, deslocou-se para o Rio e em seguida para São Paulo, alcançando grandes vitórias e renome. Porém, na capital paulista, foi contaminado de tuberculose, voltou com a família para Neves e ali faleceu em janeiro de 1901, na mais completa pobreza.

Durante o restante do ano de 1885, as coisas foram bem, mas a partir de abril de 1886 começaram os problemas: em Niterói e todos os seus distritos (inclusive São Gonçalo) não havia gente com dinheiro (e interesse) em número suficiente para movimentar o prado e atrair o pessoal da corte não era fácil, posto que lá funcionavam quatro prados, dos quais só restou um, o Jóquei Clube Brasileiro, ainda hoje existente. O deslocamento dos cariocas até o outro lado da baía não valia a pena. As brigas internas eram tamanhas que o médico Paulo Cesar de Andrade (patrono da Rua Dr. Paulo César, em Icaraí, Niterói) resolveu se afastar e, em primeiro de maio seguinte, uma nova diretoria foi eleita, tendo Érico Peña à frente. Porém, o público reduzido continuava. Comissão composta de Fróes da Cruz, Francisco Luiz Tavares e Carlos de Azevedo foi ao presidente da província, em agosto de 1886, pedir mais uma viagem dos trens nos dias de corrida, mas não foi atendida. Até o cônego João Ferreira Goulart se envolveu e conseguiu uma vitória parcial: em janeiro de 1887, a província autorizou que a Carris Urbanos fizesse mais uma viagem de bonde aos domingos, até o prado. Mesmo assim, a situação não melhorou e as disputas internas cresceram, a ponto de Frederico do Couto ofender um dos pioneiros, José de Moraes e Silva (poeta, jornalista, fazendeiro, vereador, presidente da Câmara Municipal e, em decorrência, Chefe do Executivo) na assembleia de dezembro daquele ano. A partir de janeiro de 1888 aumentou-se o número de viagens de barcas. De novo, o resultado foi pífio na atração de frequentadores vindos da corte. Em setembro seguinte, assumiu nova diretoria presidida por Francisco Luiz Tavares, que instalou uma agência de inscrições de cavalos e para apostas no Rio e dividiu as pules (consideradas caras) em frações, a fim de atrair apostadores de menor renda. De novo, resultado nulo.

Bem que, proclamada a República e transformada a Província em Estado, seu primeiro governador, Francisco Portela, ainda tentou dar uma ajuda, ao patrocinar o Grande Prêmio do Estado do Rio de Janeiro, que correu no dia nove de março de 1890 com prêmio valioso para o vencedor. O esforço, entretanto, foi em vão. Em outubro daquele ano, nova mudança de diretoria, agora de novo presidida pelo dr. Érico Peña, que levou três meses tentando reanimar o Hipódromo Guanabara.

Entretanto, as divergências acumulavam-se e o prado só dava prejuízo financeiro. Por isso, no princípio de 1891, decidiu-se pela dissolução da entidade e foi nomeada uma comissão liquidante. A área, de 59.310 metros quadrados, foi levada a leilão em oito de abril daquele ano pelo seu ex-diretor e leiloeiro Afonso Nunes, que também leiloou os móveis no dia 14 do mesmo mês. O vencedor do primeiro leilão foi o comendador João Monteiro de Queiroz (1830-1907), com proposta no valor de 55:000$, mas ele acabou por abrir mão de seu direito em favor da Companhia Hime, que nas proximidades já possuía a Companhia Siderotécnica (a primeira metalúrgica fluminense, criada em 1856), a Companhia Brazil Metalúrgica e a Companhia Industrial do Brasil. Com a área adquirida, as três empresas expandiram-se e fundiram-se no século seguinte para a criação da Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas (CBUM), vendida muitos anos depois para o Grupo Gerdau, que encerrou as atividades daquela indústria pioneira na década de 1990, causando desemprego na região.

Sem hipódromo, sequer ficamos a ver navios, pois a ponte de atracação ali construída também foi abandonada; e nem ficamos a ver cavalos.

O fracasso, entretanto, não afetou dom Carlos Gianelli, cônsul do Uruguai no Rio de Janeiro e proprietário da Fazenda Guaxindiba, onde ele instalou raias de corrida de cavalos para animar os visitantes, na década de 1890, e depois criou a Tramway Rural Fluminense (TRF), com bondes puxados por locomotivas a vapor, de Neves a Alcântara, para o transporte urbano e também a fim de facilitar o acesso àquele prado privado, desativado na primeira década do século XX. O fracasso, já agora acumulado, também não desanimou o Clube Recreativo Flor de São Gonçalo nem o Hero Club de Alcântara, que fizeram seus próprios prados (o primeiro, no atual bairro de Mangueira; e, o segundo, no bairro do Coelho) e os inauguraram em agosto e em outubro de 1912, respectivamente. Igualmente, tiveram eles curta duração. Nem afetou o entusiasmo do empresário, de ascendência italiana, Francisco Docca, que instalou uma pista de corridas de animais (além de cavalos, cachorros) na localidade de Gambá, em 1925, reformou-a por exigência das autoridades e a reabriu em 1927, mas que também teve curta vida. Restou uma última tentativa, em 1957, quando foi lançado o Jóquei Clube do Estado do Rio de Janeiro, que sequer chegou a se tornar realidade temporária e, vendido em 1959 para incorporadores de loteamentos, transformou-se no que é hoje o bairro do Jóquei.

(Fonte: Site Bom dia, São Gonçalo! , 9/4/2017 (Acesso em 10/11/2017)

São Gonçalo, Neves. (Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, 1956)

 

 

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As ruas Octávio Kelly, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela e Belisário Augusto

A Rua Octávio Kelly originalmente se chamava Rua Barros. Recebeu seu primeiro nome de acordo com edital da Câmara Municipal publicado em 17 de julho de 1841, por ocasião da implantação do Plano de Arruamento. Posteriormente, foi rebatizada como Rua Prefeito Ferraz e, mais recentemente, recebeu a denominação atual.

A Rua Álvares de Azevedo (antiga Rua da Independência) conta, hoje, entre as mais importantes vias de passagem de Icaraí para outros bairros. No entanto, obteve a atual configuração ao ser demolido um outeiro, onde se localizava a Igreja N.S. das necessidades. Havia ali, até pouco tempo, fazendo esquina com a Praia de Icaraí, a Pensão Aimoré, no local do atual Cinema Icaraí. no lado oposto encontrava-se uma quadra de tênis com pequena manufatura de raquetes. Hoje situa-se ali um dos primeiros edifícios do bairro.

A Rua Fagundes Varela surgiu a partir do prolongamento da Rua Tiradentes realizado pelo Prefeito Pereira Ferraz. O material retirado do corte foi utilizado no aterro do mangue de São Lourenço.

Já a Rua Belisário Augusto, transversal à Praia de Icaraí, representa um trecho da antiga Rua dos Legisladores, que também incluía a atual Rua Domingues de Sá.

Analisando-se o traçado do bairro no mapa da cidade, verificamos que essas duas ruas constituem uma reta, apenas interrompida pelo Morro da Pedreira (ou Morro do Cruzeiro). A intenção, na época da implantação do Projeto de Arruamento certamente foi a de demolir o obstáculo, o que acabou não acontecendo.

 

 

De jornalistas e poetas

Octávio Kelly, jurista e jornalista, nasceu em Niterói, no ano de 1878. Estudou no Liceu de Instrução Popular de Niterói, fundado pouco antes de 1880, onde foram os seus contemporâneos o Alte. Sousa e Silva e Afonso Henriques de Lima Barreto (Policarpo Quaresma). Sua vida profissional foi bastante profícua. Residiu numa bela vivenda situada na Rua Visconde de Itaboraí 249. Fundou no final do século XIX o jornal O Diárioe participou do semanário A Capital, fundado em 1899, que, no entanto, teve vida breve.

Manuel Antônio Álvares de Azevedo era sobrinho do famoso poeta Álvares de Azevedo. Foi, como o tio, poeta, além de jornalista e teatrólogo. Sua atuação no meio jornalístico foi bastante expressiva. Em 1902 foi fundado outro jornal com o mesmo nome A Capital e que foi dirigido por ele. Colaboravam nesse jornal, entre muitos outros, Tavares de Macedo e Mário Vianna. Álvares de Azevedo morreu em 1905, vítima da tuberculose.

Quanto aos poetas, Luís Nicolau Fagundes Varela foi uma das maiores expressões da poesia do período romântico brasileiro. Nascido em Rio Claro, RJ, em 1841, iniciou mas não concluiu os estudos de Direito. Trabalhou em jornalismo como meio de sobrevivência, mas entregou-se muito cedo à bebida e à vida boêmia. Faleceu em Niterói em 1875, onde foi enterrado. Fagundes Varela é um dos patronos da Academia Fluminense de Letras, assim como Belisário Augusto.

Belisário Augusto Soares de Sousa, também grande poeta, lecionava filosofia no Colégio Felisberto de Carvalho, um dos mais renomados da época. Era amigo e colega do Dr. Paulo César de Andrade e, por ocasião da morte deste, pronunciou comovente oração fúnebre.

 

 

Dr. Paulo César

Paulo César de Andrade, filho do Major Paulo César de Andrade e D. Rita Cândida da Mota César de Andrade, nasceu em Itaboraí, Província do Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 1848. Recebeu carta de bacharel em Letras pelo Imperial Colégio D. Pedro II e se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1872, distinguindo-se nas duas pela inteligência e pelo estudo.

Iniciou a sua clínica em Niterói e a manteve até falecer. Ingressou na política pelo Partido Liberal como vereador, em seguida, como deputado à Assembléia Provincial e constituinte da Assembleia em 1891. Muito ativo, ocupou cargos de grande responsabilidade também na vida empresarial (Companhia Cantareira e Viação Fluminense, entre outras). Comparecia a reuniões esportivas e sociais (Club de Regatas Nictheroyense, Hipódromo da Guanabara, este em São Gonçalo, e Jockey Club) e teve destacada atuação durante a epidemia de varíola em Niterói (1886). Gozava de muito prestígio entre seus colegas médicos (Miguel Couto, Tavares de Macedo entre outros) e grande popularidade em todas as camadas sociais por ter sido prestimoso médico e por exercer a sua profissão com dignidade.

Não foi à toa que seu súbito falecimento no dia 12 de março de 1899 – portanto aos 51 anos incompletos – causaria geral consternação. O corpo foi velado em sua residência, na Rua do Calimbá 19, rua que leva, atualmente, o seu nome.

A Rua do Calimbá consistia num trecho do Caminho do Calimbá que partia do mangue de São Lourenço, passava pelo Lomelino, encontro das atuais ruas Marquês do Paraná, Miguel de Frias, Dr. Paulo César e Avenida Gov. Roberto Silveira, e seguia em direção à antiga Fazenda Boa Vista. Após a morte inesperada do Dr. Paulo César, a Câmara niteroiense resolveu rebatizar o logradouro para reverenciar a sua memória, dando-lhe o nome do destacado médico.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 22/5/1996, e atualizado em nov/2017)

 

 

Os ingleses em Icaraí

NOMES DE logradouros, como Mr. Cunditt (Centro), Guilherme Briggs (São Domingos) e Greenhalgh (Icaraí) ou de instituições, como All Saints Church, Nictheroy Rest Home ou, ainda, de moradores, como George Cox, Abbott, Causer, Moore remontam à importância que a colônia britânica já teve em Niterói. De fato, os ingleses tinham interesses muito grandes em Niterói e vinham se destacando na cidade, desde tempos bem remotos.

Devido ao elevado número de membros, a colônia possuía sua própria escola, seu recolhimento para idosos, sua igreja e suas agremiações, além de casas comerciais e outras, como a Western Telegraphic Co. (atual prédio da Escola de Arquitetura da UFF) e a Leopoldina Railway, que ficava na Estrada Fróes.

Inauguração da sede do Rio Cricket, em 1931. Foto: autor desconhecido.

The Rio Cricket and Athletic Association, na Rua Fagundes Varela, foi fundada por George E. Cox, em dezembro de 1897, seguindo os moldes da associação fundada por ele no Rio, o Rio Cricket Club. A atual sede do clube, inaugurada em 1931, composta pelo prédio e pela bela faixa de terreno gramado à sua frente, pertencem a 12 acionistas: pessoas físicas de nacionalidade inglesa e pessoas jurídicas, a Wilson Sons, Shell do Brasil S.A., Cia. Souza Cruz, Bank of London e British Commonwealth.

Outros clubes fundados por ingleses foram o Fluminense Football Club, em 1902, o Yacht Club Brasileiro e o Rio Yacht Club, em 1914.

A igreja anglicana-episcopal All Saints Church, situada na Rua Gavião Peixoto, bem em frente ao Campo de São Bento, foi construída no estilo neogótico inglês. Sua pedra fundamental foi lançada em 1921 e sua consagração ocorreu no ano seguinte.

A Igreja Anglicana em dois tempos: em 1922, ano de sua inauguração, e no seu aspecto atual.

     

Atualmente, a colônia britânica está bastante reduzida, pela falta de renovação, pelo retorno de membros à sua terra natal ou, ainda, pelo fato de seus descendentes serem absorvidos pela comunidade não britânica. Os poucos ingleses que ainda residem em Niterói estão dispersos, não mais representando a importância que possuíram anteriormente.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 15/5/1996 e atualizado em março/2017)

*Foto de capa: the Icarahy Stakes, jogos comemorativos pela coroação do rei Jorge V, da Inglaterra, em 1910. Foto: Autor desconhecido, via Olhar Nictheroy.

 

 

Lopes Trovão e Mariz e Barros

José da Silva Lopes Trovão foi jornalista e político brasileiro, ocupação que o marcou no cenário brasileiro. Nasceu em Angra dos Reis, em 1847. Formou-se em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, em 1875, e participou, ainda como estudante, de comícios republicanos. Destacou-se por sua participação na propaganda da República. Foi deputado à Constituinte e senador na vaga de Saldanha Marinho. mais tarde afastou-se da vida pública, ocupando o cargo de oficial do Registro de Hipotecas. Faleceu no Rio de Janeiro em 1925.

Herói da Guerra do Paraguai, Antônio Carlos de Mariz e Barros, nasceu no Rio de Janeiro, em 1835, filho do Alte. Joaquim José Inácio, Visconde de Inhaúma. Seguiu para a campanha do Paraguai como guarda-marinha, distinguindo-se na tomada de Paissandu, em 1865. Participou do duro combate nas “barrancas do Rio Paraná, entre Itapiru e Passo da Pátria”, já como capitão-tenente, no comando do encouraçado Tamandaré. Entre as muitas baixas brasileiras, Mariz e Barros foi ferido mortalmente, vindo a falecer em 1866, no hospital do sangue ao ser-lhe amputada uma perna.

As ruas que levam o nome das duas figuras proeminentes da História do Brasil, são importantes vias de escoamento de todo o trânsito de Icaraí. Situam-se perpendicularmente à praia, fazendo a ligação desse bairro com o de Santa Rosa, terminando ambas na Rua de Santa Rosa.

A Rua Lopes Trovão (antiga Rua do Fundador) possui vários centros comerciais nas proximidades da Rua Gavião Peixoto, Em seu trajeto encontra-se o Campo de São Bento e, mais à frente, o Estádio Caio Martins, lado oposto à Rua Presidente Backer.

A Rua Mariz e Barros (antiga Rua das Estrelas) caracteriza-se pelos inúmeros prédios residenciais de deslumbrantes fachadas e pelos vários estabelecimentos de ensino e consultórios. O Instituto Vital Brazil iniciou ali as suas atividades numa casa, fazendo esquina com a Rua Gavião Peixoto.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 8/5/1996, e atualizado em março/2017)