Os morros de Icaraí

Como sabemos, Icaraí é contornada, abraçada por uma série de morros, que, em sua maioria, são marcos fronteiriços com os bairros vizinhos.

Vamos imaginar que estamos num barco, de frente para a praia de Icaraí. Assim podemos vislumbrar, da esquerda para a direita, os seguintes morros, que são descritos no Plano Diretor de 1992, da Prefeitura de Niterói, da seguinte maneira:

O primeiro é o Morro do Caniço. Seu “início é na Pedra da Itapuca, no ponto de coordenadas (…), do qual segue na direção nordeste pela linha de cumeada do Morro, até o topo na cota 82, incluindo toda a área acima da cota 75, e retornando à linha de cumeada na direção nordeste até o ponto de coordenadas (…) na cota 25, pela qual segue na direção sudoeste até a Pedra da Itapuca, incluída nesta área.” Pela descrição, é este o morro em que se encostam os prédios do início da praia de Icaraí, o prédio da Reitoria da UFF e os prédios da Rua Miguel de Frias, inclusive o Colégio São Vicente de Paulo.

Em seguida, vem o Morro do Arroz, que faz parte do complexo do Morro do Estado. Seu “ponto inicial fica no topo do Morro na cota 102, seguindo por uma reta imaginária na direção nordeste até o ponto de coordenadas (…) na cota 25, pela qual segue na direção sudeste até encontrar a Rua Fagundes Varela, segue daí por uma reta imaginária na direção nordeste até o ponto inicial.” É, portanto, o morro que se encontra atrás da Rio Cricket Associação Atlética.

Fechando a sequência de morros que contornam o bairro, temos à direita, finalmente, os Morros do Cavalão e Souza Soares. Têm a seguinte descrição: “início no Morro Souza Soares, no ponto de coordenadas (…) na cota 100, daí seguindo por uma reta imaginária na direção sudeste até o ponto de coordenadas (…) na cota 100, pela qual segue na direção sudoeste contornando os Morros Souza Soares e do Cavalão até o ponto inicial desta descrição.”

No meio do bairro, encontramos, ainda, dois morros: o Morro da Pedreira, que “compreende a área situada acima da cota 25 dentro do polígono definido pelas Ruas Moreira César, Mariz e Barros, Gavião Peixoto, Belisário Augusto e a prolongação desta até a Rua Gavião Peixoto”, e o Morro de Santa Teresa, compreendido entre as Ruas Gavião Peixoto, Ary Parreiras, Moreira César e Otávio Carneiro.

O Artigo 126, da lei que aprovou o Plano Diretor em 1992, diz que “são diretrizes para o uso e ocupação do solo para elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-Região de Icaraí”, e explicita no item nº “IV – estudar a valorização paisagística dos Morros de Santa Teresa, da Pedreira, do Caniço e do Cavalão, protegendo em especial os promontórios divisórios das praias”. No Artigo 128, os morros citados constam da lista de “bens sujeitos à proteção urbanística e paisagística”, com prioridade para reflorestamento das encostas.

Já o Morro do Arroz está entre as “áreas de especial interesse social indicadas para urbanização e regularização fundiária”, e também prioritárias para reflorestamento das encostas, integrando, ainda, a lista de bens sujeitos à proteção urbanística e paisagística.

Infelizmente, a maioria desses morros, no lugar de serem locais aprazíveis e de tranquilidade, são mencionados, com frequência, nas páginas policiais dos periódicos da cidade.

Neste mapa de 1914 aparecem, na parte superior e inferior da imagem, os morros mencionados, bem como os morros localizados na parte central do bairro.
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Novas fronteiras e bairros vizinhos

O abairramento da cidade de Niterói é regularizado por lei aprovada em 1986. Após a implantação do Plano Diretor de 1992, houve algumas mudanças que também foram aprovadas em forma de lei em 1995, com acréscimos e alterações feitos posteriormente por meio de leis em 2001, 2004 e 2011 e complementados pela Lei Orgânica do município, datada de 2011.

O bairro de Icaraí está inserido na Região das Praias da Baía (v. mapa a seguir e Anexo V do Plano Diretor),

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e, com os bairros do Ingá, parte de Santa Rosa e Vital Brazil, compõe a Sub-Região de Icaraí (v. mapa abaixo e Seção II do mesmo Plano).

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Atualmente, Icaraí faz fronteira com oito bairros: Ingá, Morro do Estado, Centro, Fátima, Pé Pequeno, Santa Rosa, Vital Brazil e São Francisco. Sua linha divisória, tomando a ponta junto à Pedra da Itapuca como ponto inicial, percorre a linha de cumeada do Morro do Caniço até encontrar a Rua Fagundes Varela, passando pelo ponto mais alto do Morro do Arroz até a Rua Miguel de Frias com a Avenida Marquês do Paraná. Daí em linha imaginária até as proximidades da Rua Dionísio Erthal, encontrando-se com a Rua Paulo César, passando pelas Ruas Santos Dumont, Presidente Backer, João Pessoa, Lopes Trovão, Geraldo Martins, Dom Bosco até a Rua Miguelote Viana, já próximo do bairro Vital Brazil. Segue pela linha de cumeada do Morro do Cavalão até a orla marítima do Canto do Rio (prolongamento da Rua Joaquim Távora). Acompanha a orla marítima até o ponto inicial, a Pedra da Itapuca.

Vale, também, conferir o “Diagnóstico Sócio-Econômico de Niterói”, de outubro de 2013 neste link.

 

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí, de 3/4/1996, atualizado em 15/1/2017)

 

 

Topografia

Já dissemos aqui que Icaraí, em tempos idos, era uma imensa planície arenosa, em parte alagadiça, rodeada por morros, e que se estendia da praia até a atual rua de Santa Rosa, da aba do Morro do Calimbá (proximidades da Rua Dr. Paulo César) até o Morro do Cavalão. A área era cortada pelo Rio Icaraí.

Vindo da Fazenda da Boa Vista com o nome de Calimbá, o rio descia ao longo da rua do Cubango (atual rua Noronha Torrezão) até cruzar o caminho do Calimbá ou Carymbá (rua Dr. Paulo César), nas proximidades do atual largo do Marrão, seguindo a partir daí com o nome de Icaraí (ou Caraí). Atravessava um grande lodaçal – o Campo de São Bento – onde a ele se juntava um pequeno curso d’água, originário de Santa Rosa, e desaguava na foz da Ponta do Cavalão junto ao morro. Daí a conhecida designação de Canto do Rio, localizado no final da Praia de Icaraí.

Havia em Icaraí três elevações: o Morro de Santa Teresa, ainda existente, popularmente denominado Morro dos Alemães pelo grande número de alemães que ali residiam; o Morro da Pedreira ou do Cruzeiro, onde se situava a capela de São João Batista de Icaraí e que foi derrubada para dar lugar a um novo e imponente templo; e, por último, uma pequena colina, próxima ao Morro da Pedreira, demolida antes mesmo da capela de São João Batista de Icaraí, onde existiu a ermida de Nossa Senhora das Necessidades, provavelmente o local da atual igreja de Porciúncula de Santana.

Hoje o Rio Icaraí se encontra canalizado em toda a sua extensão. Podemos vislumbrá-lo aqui e ali, entre os edifícios e as novas construções do bairro, e ao longo da Avenida Ary Parreiras até a praia, onde foi coberto por uma laje de concreto para a construção da Igreja de São Judas Tadeu.

A área do Campo de São Bento foi aterrada e urbanizada no início do século XX, durante a gestão do Prefeito Pereira Ferraz, segundo projeto do engenheiro paisagista belga Arsène Puttemans, que apresentou uma maquete – muito apreciada, por sinal – na Exposição Nacional de 1908.

(Publicado no boletim semanal do Rotary Club de Niteroi Icaraí, de 8/11/1995)

*Foto do cabeçalho: vista aérea sobre Icaraí em direção ao Rio, data e autor desconhecidos.

 

Galeria
(Clique sobre as fotos para ampliar)