“Cenas familiares”

Série “Crônicas de Icaraí”

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Icaraí não tem postos de salvamento (tem apenas guarda-vidas espalhados ao longo da areia), mas o uso de marcar encontros criou os “pontos”, que são: Regatas (em frente ao C.R. Icaraí); Cassino (defronte ao Hotel Cassino Icaraí); Cinema (diante do Cine Icaraí); Presidente Backer (em face da rua do mesmo nome); Casa de Saúde ( em frente à Casa de Saúde Icaraí) e Canto do Rio (no fim da praia). Na faixa que vai do Regatas à Presidente Backer, concentram-se os banhistas oriundos da Zona Norte e de São Gonçalo; a Casa de Saúde é o “ponto” preferido pelos icaraienses genuínos e honorários – uma segregação espontânea, sem preconceitos.

Praia disciplinada, Icaraí tem locais determinados para a prática de futebol, vôlei e medicine-ball e policiais de calção estão vigilantes para que o entusiasmo esportivo não transborde os seus limites, exceção só permitida aos praticantes de frescobol.

Bem, a nova Icaraí tem calçadas de mosaicos e grandes postes com luz de mercúrio para embelezar o “footing” dos domingos e os banhos noturnos. O velho trampolim, que estava caindo aos pedaços e arriscando a vida dos banhistas, foi dinamitado e sepultado pelas águas. As inovações, contudo, não afastaram os resquícios conservadores das garotas, que não se deixam fotografar fàcilmente, no que são solidários os bonitões e as mamães.

Texto de GUALTER MATHIAS NETTO transcrito com a grafia da época
Foto de Hélio Passos (1966/1967)
Publicado em janeiro de 1967

(Fonte: Grupo de História de Niterói, Facebook, Acesso em 9/10/2016)

(Texto apresentado na reunião semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí de 6/12/2017)

 

 

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“O mar beija a praia com ternura”

Série “Crônicas de Icaraí”

Antigamente, a cidade chamava-se Vila Real da Praia Grande. Muito a propósito, aliás, Niterói é quase uma ilha, cercada de praias por quase todos os lados. E Icaraí é o carro-chefe dessa alegoria colorida que é a Long Beach cabocla. Uma Long Beach sem desfiles de beleza organizados, mas com grande densidade de beldades em maiô, de que Icaraí é o centro de gravidade ou o ponto imantado.

Icaraí é sal e é sol, e também é sul: fica na Zona Sul da cidade; mas como todos os caminhos levam a ela, de todos os pontos convergem garotas (e paqueras), até do Rio de Janeiro.

O mar, que em outras praias mete medo pela sua fúria, diante de Icaraí se amansa e se inclina para beijá-la. Nesse manso lago azul, tocadas pela brisa cheirosa, deslizam suaves, as velas, e latagões bronzeados e musculosos fazem correr os ioles desde o Clube de Regatas – porque Icaraí tem também o seu clube de regatas. Rápidas lanchas trazem, unidos por um cordão umbilical, os destemidos praticantes de esqui-aquático, em seus passeios tão emocionantes quanto os da aventura espacial.

Texto de GUALTER MATHIAS NETTO – transcrito com grafia da época
Foto de Hélio Passos 
Revista O Cruzeiro, 7 de janeiro de 1967

(Fonte: Grupo de História de Niterói, Facebook, Acesso em 10/12/2017)

“O esporte na Praia de Icaraí”

Série “Crônicas de Icaraí”

(…)
Mas nem tudo é maré-mansa no mar preguiçoso de Icaraí. No limite oeste da praia, onde ela começa pra quem vem do Centro, uma cama de pedras perturba o idílio da praia com o mar. E este responde, fazendo onda, que vai se quebrar nas pedras do Índio e Itapuca. Em frente a esta última, a rapaziada pratica o “surf”, e a miuçalha dos 10 aos 15 anos faz “jacaré”, com pequenas pranchas, que deslizam a alta velocidade por sobre o leito de pedras pontiagudas incrustadas de mariscos – verdadeiro faquirismo aquático, “roleta niteroiense”. Aliás, nesse capítulo das “socas”, Icaraí tem uma bossa: o mar-esqui, uma prancha redonda, como fundo de barril, capaz de atingir a última espuma das ondas.

Além dos esportistas, as pedras do Índio e Itapuca são muito procuradas pelos pintores; não há exposição de marinhas em Niterói em que não se vejam as indefectíveis… Afinal, a própria forma da praia sugere uma palheta de pintor. (…)

Texto de GUALTER MATHIAS NETTO – transcrito com a grafia da época
Fotos de Hélio Passos
Da reportagem de O CRUZEIRO, de 7 de janeiro de 1967

Surfistas em frente à pedra de Itapuca, 1966/1967
Esqui na areia da Praia de Icaraí, 1966/1967
Surf na Praia de Icaraí (próximo à Pedra de Itapuca) 1966/1967

(Fonte: Grupo de História de Niterói, Facebook, Acesso em 9/10/2016)

(Texto apresentado na reunião semanal do Rotary Club de Niterói Icaraí de 29/11/2017)

 

 

MEC libera verba de R$ 1 milhão para reabertura do Cine Icaraí

O recurso foi solicitado nesta semana pelo reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Sidney Mello

Por Pamella Souza

O Ministério da Educação liberou para a Universidade Federal Fluminense (UFF) a verba de R$ 1 milhão para a conclusão do projeto executivo de reabertura do Cine Icaraí, fechado desde 2006. O recurso foi solicitado pelo reitor Sidney Mello, em visita ao secretário de Ensino Superior Paulo Barone, em Brasília, na última segunda-feira.

A ideia é transformar o local, que já foi um dos grandes cinemas de rua do Estado, em um centro cultural. Além disso, o Cine Icaraí se tornará sede da Orquestra Sinfônica Nacional e da Companhia de Ballet de Niterói.

“Vamos conseguir dar continuidade ao projeto básico do Cine Icaraí com essa verba enviada pelo MEC. O adiantamento de R$ 15 milhões solicitado para a reabertura de parte do cinema ficará para o próximo ano. Mas já é um passo importantíssimo”, ressaltou Sidney Mello.

As obras do Instituto de Química, no campus da Praia Vermelha, também ganham novo fôlego. O MEC liberou um adiantamento na ordem de R$ 4 milhões para dar prosseguimento às obras. A expectativa é que os alunos contem com o prédio totalmente concluído no início de 2019.

De acordo com o reitor, uma equipe de trabalho está sendo organizada para tocar os novos investimentos.

“A obra já estava funcionando através de uma equipe administrativa. Agora, vamos montar um grupo de trabalho para acelerar esse processo”, explicou.

A verba de R$ 4 milhões, que já está disponível para a UFF, faz parte de um aporte de R$ 28 milhões de recursos do Ministério da Educação destinados especialmente para o Instituto de Química. A Petrobras, em parceria com a universidade, também disponibiliza R$ 19 milhões para a construção de laboratório de alta tecnologia.

Dívida – O terreno próximo ao Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap), que pertencia ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), acumula uma dívida de R$ 4 milhões, restantes ao pagamento de compra da área.

Procurado para quitar esse saldo, o MEC informou, através do reitor, que vai entrar em contato com o INSS para negociar a dívida e propor que o terreno seja totalmente repassado à UFF sem custo. Uma proposta de parcelamento já havia sido enviada pela universidade ao instituto, na tentativa de solucionar a questão.

“Vamos aguardar o MEC entrar em contato com a UFF. Quanto ao projeto de criar uma segunda unidade do Antonio Pedro, essa verba ficará para o próximo ano, pois o projeto ainda precisa ser avaliado pela Ebserh”, concluiu o reitor.

(Fonte: O Fluminense, Cidades, 17/11/2017)

 

 

Vital Brazil

Área: 0,5 km2
População: 3064 habitantes (IBGE 2000)

O bairro limita-se com São Francisco, Icaraí e Santa Rosa — sendo um prolongamento destes dois últimos. A área do Vital Brazil compreende pequena planície, cortada por pequenos rios que desembocam no rio Icaraí; e por encostas do Morro do Cavalão. A parte mais baixa era alagadiça, formando charcos, até que a canalização dos rios tornou possíveis as edificações no local.

Esta área outrora pertenceu às fazendas Santa Rosa e Cavalão, sendo que ao longo do tempo essas terras foram vendidas e parceladas, datando do final da primeira metade do séc. XX o processo de ocupação e formação do bairro.

O fato responsável pela denominação do lugar foi a transferência do Instituto Vital Brazil, que funcionava em Icaraí, para “instalações melhores” no bairro, numa grande área onde funcionara uma olaria (1919). O importante trabalho desenvolvido pelo Instituto, hoje estadualizado, sempre recebeu amplo apoio dos governos estadual e municipal. Inicialmente o Instituto limitava-se à fabricação de medicamentos para uso humano (soros antiofídicos e vacina antirrábica), mas a partir de 1931 já preparava vacina antirrábica para uso veterinário e outros produtos do gênero. Em 1943 foram inauguradas as atuais instalações do Instituto, contribuindo para a diversificação de suas atividades e reconhecimento internacional do seu trabalho. Anexa ao Instituto, foi criada a Faculdade de Veterinária, hoje pertencente à Universidade Federal Fluminense.

O processo de ocupação ocorreu principalmente na segunda metade do séc. XX, intensificando-se nas últimas décadas, sobretudo pela ação de loteamentos (como por exemplo, o Jardim Icaraí) e pela cessão de terras do Instituto aos funcionários, para que construíssem suas moradias. Até alguns anos atrás as poucas casas do bairro eram entremeadas por inúmeros terrenos baldios.

Na área do Instituto, havia pastos (criação de cavalos por exemplo), sendo muito cobiçada, gerava conflitos, às vezes violentos, entre a Direção do Instituto (Dr. Vital Brazil) e invasores. Somente aos funcionários era permitida a construção, mas como não havia controle do poder público, as invasões foram acontecendo.

(Fonte: Niterói-Bairros – Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Niterói – 1991, via Cultura Niterói)

O bairro em 1950, com o Instituto Vital Brazil ao fundo.

 

 

Pé Pequeno

Área: 0,34 km2
População: 3841 habitantes (IBGE 2000)

Tendo como limites Santa Rosa, Cubango e Fátima, o Pé Pequeno é um dos menores bairros de Niterói.

A origem do nome está associada ao surgimento do bairro. Quando a antiga Fazenda Santa Rosa (séc. XVIII) que dominava vasta região começou a ser desmembrada entre os seus herdeiros, a maior área ficou em poder de Antonio José Pereira de Santa Rosa Jr., conhecido também por Pé Pequeno. Este, por sua vez, vendeu parte das terras situadas à esquerda da antiga estrada do Calimbá (atual Dr. Paulo Cézar), logo transformadas em chácaras. Com o passar do tempo, as chácaras do Pé Pequeno, que abrigavam famílias de nível econômico elevado e alguns dos nomes ilustres do município, foram revendidas e loteadas. Abriram-se novas ruas e foram construídas novas residências.

Em meados da década de 40 começa a construção de várias casas no local, sendo as ruas saneadas e pavimentadas pouco a pouco, desenhando a atual configuração do bairro.

Embora até meados deste século o Pé Pequeno tenha acompanhado os mesmos processos de urbanização que deram origem a Santa Rosa, o bairro conseguiu resguardar-se de certa forma da explosão imobiliária que levou o vizinho a intenso processo de verticalização. O Pé Pequeno conseguiu manter-se como bairro horizontal de “status” eminentemente residencial.

(Fonte: Niterói-Bairros – Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Niterói – 1991, via Cultura Niterói)